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Eu em Mim

Eu em Mim.

Eu em Mim.

Por Amanda Ferr

Nascida Amanda Ferreira, logo me transformei em Amanda Ferr, que me parecia soar melhor quando me tornasse artista. Tornar-me artista…. descobri ainda cedo, que não se torna artista, se nasce artista. Pode se aprender técnicas de canto, dar piruetas na ponta e meia ponta, ser craque nas regras de gramática, estudar as técnicas da comédia Del´Arte, mas arte não se faz com técnica, se faz com paixão, com as vísceras, com a alma.

Sendo assim, nasci artista, fiz balé desde criança, passeando pelos anos seguintes por todos os outros ritmos de dança, me decretei filha de Baco quando pisei descalça pela primeira vez num palco e não podendo ser de outra forma, me formei atriz.

No intervalo entre uma pirueta e uma esquete, me arrisquei pelo universo da Psicologia, porque tudo que é humano me interessa, e o que me interessa, me interessa demais. Como tudo que me encanta, me encanta muito. Tudo que me importa é prioritário e não sei e nem quero separar as coisas.

Minha bagunça é enorme e interna e quando sinto que os pensamentos estão dando nó, arrumo os armários da cozinha e as gavetas do escritório. Eu não gosto de hora marcada, quero o frio na barriga.Prefiro a descoberta lenta pela pele, o entendimento pelos sentidos, o corpo fazendo às honras da casa.

Não tenho temperamento para o mediano. Não tenho nervos para a inércia. E nem tolerância para meias palavras ou jogos de sedução. Não suporto os hipócritas nem os que necessitam de perdão.

Não sou a gosto do freguês. É isso, eu sou acessível presa fácil de paixões clandestinas, vulnerável na carne, solícita a quem me solicita sou mesa posta para quem deseja banquetear meu coração. Garfo, faca e emoção.

Sou a fome. A urgência. A posse. A invasão. A subversão. O desatino. As noites em claro. O vício. A ira. A perversão. O desvio. O ilícito. A placa de contramão. A obsessão. A ambiguidade. A indigestão. A impaciência. A desolação. Os pés cansados. O gole. O trago. A comida descendo na goela. O suor escorrendo nas mãos. O gozo precoce.

As vergonhas escondidas. A adrenalina derramada nas veias. O desejo. A ambição. A cama e o pão. Aquilo que lateja, que queima, que arde, que consome. A infração. O medo. O martírio. A paixão. O outro lado da moeda. O segredo inconfessável. A outra versão dos fatos. Tarja preta. co-dependência.

O instinto. A essência. A pele. O prazer. O absurdo. O sarro. O profano. O pecado. O carnaval. Escarro e excrementos. O excesso. O tédio. A traição. O odor. A fúria. O asco. A devoção. A febre. A volúpia. A sedução. A sacanagem. Os tropeços. As trapaças. Egoísmo. A vaidade. A face marginal. O orgulho. A impertinência. A ousadia. A santidade. A corrupção. Os orgasmos múltiplos. O soluço. A sede. Sangue nas roupas.

O cru. O nervo exposto. A dor. O caos. A desordem. O conflito. As fatalidades. A cárie. A gastrite. A enxaqueca. A mágoa. A cicatriz. A inquietação. A preguiça. A gula. A condenação. O paraíso perdido. O anjo caído. O bem e o mal. A derrota. A simpatia forjada. A educação engasgada. A vontade de virar a mesa, jogar pro alto, explodir.

Deus e a mulher. O ponto fraco. O calcanhar de Aquiles. O momento do bote. O seu reflexo no espelho ou…

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