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Estreias da semana no Palácio das artes

Estreias da semana no Palácio das artes

Destrinchando

  •  Na terça e quarta-feira (25 e 26/6), a Orquestra Sinfônica e o Coral Lírico de Minas Gerais se reúnem para interpretar a célebre obra Réquiem, de Mozart, e Três Quadros de Victor Meirelles, de Cláudio de Freitas, fagotista da OSMG.
  • Também na quarta-feira (26/6), estreia o espetáculo Montagem, dos alunos do 3º ano do Curso de Teatro do Cefart. A apresentação reúne diferentes possibilidades cênicas, histórias reais, ficcionais e fragmentos criativos dos 20 atores-estudantes que compõem o elenco. Entrada Gratuita no Teatro João Ceschiatti.
  • Na quinta-feira, acontece a noite de abertura dos Editais de Ocupação de Artes Visuais. Obras dos artistas  selecionados Lorena D’arc (Leite Derramado), Renata Cruz (Para sempre e um dia) e Rodrigo Arruda (Ecos) ocuparão as galerias Mari’Stella Tristão, Arlinda Corrêa Lima e Genesco Murta.
Saiba mais:

MONTAGEM, espetáculo dos formandos de Teatro do Cefart, possui diferentes narrativas, atravessamentos e provocações de um Teatro experimental e questionador A peça se configura como uma mistura de performance, dança, contação de histórias e show de variedades

Com uma proposta inovadora, os alunos do 3º ano do Curso de Teatro do Cefart apresentam o espetáculo Montagem. A peça coloca o próprio teatro em discussão, reunindo diferentes possibilidades cênicas a partir de histórias reais, ficcionais e fragmentos criativos dos 20 atores-estudantes que compõem o
elenco. Com direção e dramaturgia de Vinícius Souza, Montagem retrata a autenticidade dos verbos ‘ser’ e ‘estar’ e questiona os limites do que é Teatro.

A partir do palco do Teatro João Ceschiatti, o grupo é norteado por uma questão: “O que 20 pessoas podem fazer juntas nesse espaço?”. Explorando de materiais cênicos, a números artísticos e histórias pessoais, o espetáculo é construído a partir de uma colagem de experimentações e imagens que
pretendem responder à pergunta inicial.

Para Vinícius Souza, o espetáculo é uma espécie de anti-formatura, uma experiência para além dos palcos. Tendo o próprio teatro como processo, a produção questiona, a todo momento, o que realmente é o fazer teatral. “A ideia é questionar o que é esse fazer teatral, se é preciso estudar teatro para estar no palco, quais os limites de uma peça, o que define um espetáculo.

Esses são os atravessamentos que propomos em Montagem”, revela. Por meio desses questionamentos, Montagem é desenvolvida a partir de uma visão mais crua do fazer teatral. No palco, os 20 atores se intercalam entre uma apresentação e outra. Parte das cenas é formada por jogos de improvisação,
atividade comum aos ensaios. Há, também, narrativas dos próprios estudantes, que esbarram no conflito entre o ficcional e a realidade.

Montado a partir de exercícios teatrais colhidos ao longo de dois meses de preparação, o espetáculo também traz referências a trabalhos do cineasta brasileiro Eduardo Coutinho e do coreógrafo francês Jérôme Bel. É desse encontro de ideias e propostas que a peça se configura como uma mistura de
teatro, performance, dança, contação de histórias e show de variedades.

De acordo com Vinícius Souza, a reunião de tantas linguagens distintas no palco também demonstra a diversidade de corpos e pensamentos que permeia a turma de formandos. “Todas essas formas se juntam para revelar as vinte pessoas em cena, suas potências e fragilidades, experiências de vida que
poderiam ser também dos espectadores dessa mesma montagem”, conta.

O diretor finaliza explicando que também o público está convidado a se questionar sobre o espetáculo. Para ele, a proposta é despertar o interesse dos espectadores para além do tradicional que tem sido feito. “É uma maneira de chamar a atenção de quem está assistindo à montagem. O público vai se questionar se determinada cena é patética ou corajosa, se é real ou ficção, se o que está sendo apresentado é, ou não, um espetáculo de teatro”, conclui.

SINOPSE:

Vinte pessoas e um palco de 30m². O que elas, juntas, podem fazer ali? O espetáculo de formatura do curso Técnico em Teatro do Cefart, MONTAGEM, divide com o público as diversas respostas a essa pergunta. Enquanto vagueiam pelas possibilidades, revelam seus modos de estar no mundo.

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Exposições selecionadas no Edital de Ocupação de Artes Visuais da FCS refletem os diferentes processos da criação artística

Abertura das mostras ocorre em 27 de junho, quando haverá ocupação performática da Cia. de Dança Palácio das Artes no encerramento da exposição CORTE, de Amílcar de Castro

Em sua 12ª edição, o Edital de Ocupação de Artes Visuais da Fundação Clóvis Salgado traz, para as Galerias do Palácio das Artes, as exposições dos artistas selecionados Lorena D’arc (Leite Derramado), Renata Cruz (Para sempre e um dia) e Rodrigo Arruda (Ecos). Criados a partir de diferentes suportes, os
trabalhos têm, em comum, a arte em processo, seja pela pesquisa artística, pelo resgate de técnicas quase obsoletas ou pela essência questionadora da contemporaneidade. Os artistas vão ocupar as galerias Mari’Stella Tristão, Arlinda Corrêa Lima e Genesco Murta, respectivamente.

A mineira Lorena D’arc apresenta o resultado de uma longa pesquisa em artes visuais que relaciona dois elementos naturais: o leite e a lama, tendo o feminino como ponto de inspiração para as obras. A exposição da paulista Renata Cruz reúne uma técnica quase artesanal, a aquarela, cuja inspiração vem do exercício contínuo de observar o cotidiano e o trivial. Já a exposição do também paulista Rodrigo Arruda tem o vazio de uma galeria como elemento fundamental na concepção do trabalho.

Realizado de forma consecutiva desde 2015, o Edital de Ocupação de Artes Visuais é uma importante ferramenta de estímulo à produção artística em âmbito nacional, permitindo o acesso do público a diferentes linguagens. Para a presidente da Fundação Clóvis Salgado, Eliane Parreiras, essa iniciativa abre as portas do Palácio das Artes às mais variadas propostas artísticas. “O Edital de Ocupação de Artes Visuais da Fundação Clóvis Salgado é reconhecido por sua diversidade. A cada edição, artistas de Minas e de outros estados ocupam nossas galerias com as mais variadas propostas. O fomento a essa identidade
diversa é uma importante diretriz, a qual temos nos atentando sempre”, destaca.

O Edital de Ocupação de Artes Visuais FCS é uma iniciativa já consolidada como evento de destaque no cenário artístico nacional. Sua realização visa fomentar a produção artística contemporânea e a divulgação de novos talentos. Como premiação, os artistas recebem R$4.000,00 (cada), para a montagem das
exposições, além de apoio da FCS na divulgação das mostras. Artistas como Adriana Maciel, André Griffo, Bete Esteves, Claudia Tavares, Eder Oliveira, Juliana Gontijo, Luiza Baldan, Luiz Arnaldo, Marcelo Armani, Nydia Negromonte, Patricia Gouvêa, Ricardo Burgarelli e Ricardo Homen já tiveram seus trabalhos contemplados em outras edições.

SOBRE AS EXPOSIÇÕES

Leite Derramado, de Lorena D’arc
Galeria Mari’Stella Tristão

Professora de cerâmica da Escola Guignard-UEMG, Lorena D’Arc Oliveira, tem na pesquisa artística o ponto de partida para essa exposição. Retornando ao Palácio das Artes após 20 anos desde sua última exposição individual na instituição, a artista conta para o público uma história de inspiração que
começou ainda em 2009, quando teve um sonho em que derramava leite sobre a terra. A partir daí a linha de estudos se voltou para dois elementos carregados de simbolismos e significâncias: o leite e a terra. Da fertilidade ao feminino, cada obra contida na exposição permite diferentes possibilidades
interpretativas.

Em Leite Derramado, Lorena apresenta cerca de 19 trabalhos criados para abordar a materialidade do leite e do barro. Obras em diferentes suportes artísticos, como cerâmicas, desenhos, fotografias e instalações, estarão reunidas na Galeria Mari’Stella Tristão, em diferentes séries: Caminhos do Leite, 19, Derrame, Ocas e lácteas, Audumla, Leite para Gaia, Do lácteo à lama, Ártemis, Mamíferas, Manga com Leite, Árvore Láctea e Liames. Em todas as obras, há um intenso diálogo entre a poética da artista, ao escolher esses dois
elementos como materiais de pesquisa, e todos os desdobramentos que acarretam no uso dessas matérias na produção dos trabalhos.“O leite e o barro estão diretamente ligados à nutrição, à fartura, ao
conhecimento, como também aos princípios da vida e da morte. Ao compreender a materialidade do leite e do barro, exploro suas características ambíguas, por considerá-los ao mesmo tempo matéria-prima e de natureza simbólica. Deste entendimento que norteia a minha poética nos últimos dez anos, exploro as características específicas, comportamentos e reações do leite e do barro em seus estados crus e cozidos, desenvolvendo trabalhos plásticos que transitam entre diversas mídias como o desenho, a fotografia, objetos cerâmicos e pequenas instalações”, comenta a artista.

Nessa mostra, o público irá se deparar com diferentes possibilidades criativas a partir da união desses dois elementos. Na série Caminhos do Leite, por exemplo, Lorena apresenta um estudo com leite de vaca puro sobre papel em que o calor do ferro é empregado para dar visibilidade a seu desenho de formas arredondadas que aludem a seios, caminhos, cachos ou pencas volumosas, propulsoras de fartura e abundância, como é a essência láctea. Parindo dos mitos e ancestralidades, a artista reúne duas séries com significados baseados na cultura popular. Manga com Leite é uma instalação de parede e chão que trata da crença criada no período colonial brasileiro, em que os donos de engenho diziam que comer manga com leite fazia mal, com o intuito de que os escravos não consumissem leite. Na parede da galeria, estarão expostas peças de cerâmica de tamanhos variados, remetendo às palmas barrocas.

À frente da composição da parede, estará uma mesa composta de um forro de veludo vermelho em contraste a uma leiteira de ferro que emite sons de gotejamento, além de algumas mangas em cerâmica. Neste trabalho, entre o
contraste de materiais luxuosos e precários, a artista recorre ao passado, para reafirmar que ainda são notórias as diferenças sociais. Com esta visão, a proposta da artista é de aumentar a quantidade das mangas no decorrer da exposição, em alusão à crescente desigualdade social no Brasil e no planeta.

Outro acontecimento marcante na história do povo mineiro, também passa pelo trabalho de Lorena D’Arc. Na série 19, 19 objetos de porcelana relembram as 19 vítimas fatais do desastre ocorrido em 5 de novembro de 2015 na cidade de Mariana. Sobre as tigelas de porcelana branca, manchas e máculas da lama
refinada da mineradora é utilizada como pigmento.

Para ela, o retorno ao Palácio das Artes é um momento gratificante em sua carreira. “Acho o Edital de Ocupação uma iniciativa importante para a divulgação da produção artística atual. Eu, por exemplo, estou de volta ao Palácio das Artes 20 anos depois da minha exposição em 1999 na Arlinda Corrêa. Expor junto a outros artistas simultaneamente e conhece-los, é uma condição interessante de criarmos novas ligações. Outra questão importante é apresentar ao público nesta exposição, o resultado de meu doutorado em Artes
concluído recentemente pelo Instituto de Artes da UNESP”, finaliza. Lorena D’Arc é mineira, artista multimídia, graduada em Artes Plásticas pela

Escola Guignard-UEMG, mestra em Artes pela ECA-USP e doutora em Artes Visuais pelo IA-UNESP. Participou de diversas exposições coletivas nacionais e internacionais. Prêmio na 2nd Shanghai International Modern Pot Art Biennial Exibition, Shanghai, China (2010), Menção Honrosa no 2º Salão Nacional de Cerâmica de Curitiba/PR em 2008. Curadora convidada para o 5º Salão Nacional de Cerâmica no MAC Curitiba/PR em 2016. Seu trabalho relaciona-se a elementos naturais, à natureza, ao cotidiano doméstico, que de algum modo registram a passagem do tempo, assim como, aos princípios de vida e morte.

Ao explorar características, comportamentos e reações de materiais em seus estados crus e processados, prioriza matérias que possuem a ambiguidade de serem ao mesmo tempo matéria-prima e símbolo. Sua produção suscita relações entre arquétipos ancestrais e contemporâneos.

Para sempre e um dia, de Renata Cruz
Galeria Arlinda Corrêa Lima

O simples ato de observar o cotidiano e transformá-lo em arte norteia o trabalho da paulista Renata Cruz. Em sua mais recente exposição, Para sempre e um dia, a artista vai transformar a Galeria Arlinda Corrêa Lima em uma casa japonesa de papel, recoberta por azulejos portugueses. As imagens são em sua
maioria desenhos realizados em residências artísticas no Japão e em Portugal entre 2015 e 2016. Mas há também trabalhos posteriores com elementos do seu ateliê em São Paulo e das viagens à Floresta Amazônica.

Nessa imersão por diferentes culturas, Renata Cruz traz reproduções de uma beleza efêmera, carregada de sentidos e afetos, que, pelos desenhos da artista, permanecem, mesmo que tenham durado pequenos instantes. Fazendo sua estreia em Belo Horizonte, ela propõe um encontro do público com o registro
do cotidiano por meio de uma das mais tradicionais técnicas artísticas: a aquarela.

Cerca de 600 desenhos de mesmo tamanho serão afixados nas paredes da galeria, em um site-specific, relacionando a arquitetura do espaço à afetividade proposta por Renata ao mesclar suas experiências tanto no Japão quanto em Portugal. “A aquarela é meu material do cotidiano. Existe para mim uma facilidade nele, que é me permitir trabalhar com desenho e cores em qualquer lugar levando na bolsa apenas um pequeno estojo de aquarela e alguns pincéis”, comenta Renata sobre sua relação com o material da exposição.

A inspiração para um registro catalogado de objetos do cotidiano começou durante a residência que Renata fez no Aomori Contemporary Art Centre, em Aomori em 2016, no Japão. O encontro com a outra cultura resultou em uma série de registros de objetos rotineiros, como vasilhas, copos, jarros, cacos, folhas, flores, frutas, cadernos, cogumelos, canetas, sementes, embalagens e o tradicional artesanato têxtil local, feito principalmente na cor azul. Eles começaram a criar relações com a experiência em Lisboa, no Carpe Diem Arte e Pesquisa, antiga casa do Marquês de Pombal, onde instalou desenhos em uma

sala revestida de azulejos, cujo predomínio da cor azul, foi decisivo para a realização do trabalho. É essa junção de culturas e observações que compõe o trabalho exposto na galeria Arlinda Corrêa Lima.

Ao assinalar e organizar as pequenas coisas que formam a vida e que passam despercebidas na maior parte do tempo, Renata cria uma narrativa contra a finitude e, também, um convite à atenção prolongada. Os textos presentes nos trabalhos, que estão em português, inglês, japonês e castelhano, pertencem a
escritores como Virgínia Woolf, Clarice Lispector, Enrique Vila Matas, Osamu Dazai, Borges e outros.

Assim como em outros locais por onde a exposição já passou, como Madrid, na Espanha, e Ribeirão Preto, em São Paulo, haverá a criação de uma aquarela inédita para Belo Horizonte. A obra será produzida ao longo do período de montagem da mostra, enquanto Renata observa a rotina e a dinâmica do
Palácio das Artes.

“Espero que o público possa caminhar pela galeria e observar esses detalhes que me inspiram. Não há um roteiro certo para ver a exposição, só mesmo um convite para que o visitante crie a narrativa que melhor fizer sentido para ele. Aideia de imaginar as pessoas andando pela galeria Arlinda Corrêa Lima e
conectando imagens já me inspira num desdobramento desse trabalho”.

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Lucas Machado

Lucas Machado

Escritor, profissional de Marketing e Comunicação.

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