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Estamos desaprendendo a amar. Ninguém faz mais por amor, apenas por negócio

Estamos desaprendendo a amar. Ninguém faz mais por amor, apenas por negócio

 

 

Por Felipe Reis

É nos negando amor que desperdiçam aquilo que temos de melhor: a nossa capacidade de amar.
Na ânsia de obter aprovação por tudo, serem protegidas e receberem amor, as pessoas ignoram uma das melhores capacidades do ser humano: AMAR.
Então, tropeçam sobre o amor que sentem, desequilibram-se no trapézio desse sentimento tão lindo. Algumas caem, outras desistem. Mas existem aquelas que simplesmente são incapazes de lidar com o amor dentro de si. Medo, orgulho, falta de experiência ou de jeito mesmo. E quando vê, despedaçou mais um coração aqui, esmagou outro logo adiante e, assim, em vez de construir uma incrível história a dois, desmoronam relacionamentos. E não é falta de amor, é falta de competência mesmo.
E esse amor incompetente causa lágrimas. Mais do que destruir uma relação, acaba com muitas famílias e até com vidas. São muitos “eu te amo” falados, escritos, representados no emojí que manda beijo com o coraçãozinho. Entretanto, duas horas depois as pessoas já estão brigando, traindo, falando mal de quem se diz amar, enganando, dando uma rasteira histórica e até dizendo que odeia. Mas a noite amam novamente, para no dia seguinte se tratar mal, fazer joguinhos, ser falsos, contando mentiras inacreditáveis sem deixar de acreditar que amam.
O que acontece com o ser humano? Como conseguem chegar em casa beijar sua cara metade depois de passarem a tarde no motel com outra pessoa. Como conseguem dar um abraço apertado e fraternal depois de passarem o dia inteiro comentando com os outros o quanto acredita que a pessoa abraçada não presta. Como falar que aquele amigo é um porre, sem deixar de conviver com ele. Como desejar feliz aniversário para alguém que não se cansa de fazer intriga contra. Como querer tirar vantagem de alguém próximo, sempre à disposição para ajudar. Então, quando tem de agradecer, vende o convite que ganhou.
As pessoas desaprenderam a amar. Não existe mais favor, se não há alguma vantagem para uma troca, não se faz mais nada por ninguém. A generosidade foi substituída por um negócio de interesses rasos. E a torcida é contra quem se diz amar, essa ânsia de desvalorizar as pessoas que mais lhe dão afeto para se sentir melhor consigo mesmas, como se a vaidade fizesse mais bem do que o amor.
É preciso acordar. Entender que todo mundo precisa de amor. Todos nós. É como uma troca de favores. Vamos compensando amores pela vida à fora, mas não de uma forma tão precisa, racional, pragmática. Mais na linha gentileza gera gentileza, agora substitui por amor. Porém, não existe essa de querer receber sem dar. A matemática não precisa ser exata, mas tem que manter uma lógica de sentimentos, de gostar de quem gosta da gente e fugir de quem nos faz mal.
Querer amor, compreensão e proteção sem genuinamente ter bons sentimentos para jogar no universo, é uma atitude que pertence aos egoístas e interesseiros, às pessoas que prejudicam o funcionamento desse mundo com seu narcisismo disfuncional.
E, no fim das contas, elas são as mais prejudicadas, pois a sensação de ouvir um “eu te amo” é maravilhosa. Mas a de dizer, com toda a verdade, sem medo e sem culpa…Ah, essa sensação é infinitamente melhor e a única que nos preenche por completo, pois não é sendo amando, mas sim amando que a nossa alma consegue, finalmente, ficar em paz.
E assim vou vivendo e aprendendo… Luz para todos nós!
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Felipe Reis

Felipe Reis

Dj e produtor musical a 14 anos, administrador, economista e historiador. Felipe é idealizador da Virada Cultural de BH, participou na construção do Centro de Referência da Juventude nas capitais e das extintas casas de shows Mercado e Fábrica. Foi Diretor geral da Revista Pura. É ambientalista, Presidente da Associação Brasil Sustentável e recentemente inaugurou sua nova casa de shows que leva o nome de IndustriALL e a The Cave, um clubinho intimista para 150 pessoas.

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