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Escolhas e a terceira lei de Newton

Escolhas e a terceira lei de Newton

Escolhas e a terceira lei de Newton

Foto: Destrinchando

Destrinchando

Renata Lommez

Esse é mais um daqueles assuntos que mexem com a gente, diariamente. A todo o momento somos colocados diante de situações em que precisamos fazer escolhas, às vezes corriqueiras, outras decisivas.

Quem nunca se viu parado no trânsito, precisando escolher (sem a ajuda do Waze), qual caminho tomar para tentar chegar mais rápido? E para decidir pelo prato no cardápio do restaurante? Tem gente que se enrola muito. Alguns são mais práticos e escolhem o mesmo prato, mas isso seria praticidade ou medo de arriscar? Insegurança, sim! A tal zona de conforto, sabe? Aquela que fala assim:

_ ah nem, não vou me arriscar não, vai que eu não goste? E se eu me arrepender? Mas, e se você amar? Penso eu dessa forma mais ousada na questão escolhas.

Existem pessoas que são mais conservadoras, que não querem sofrer na hora de decidir, por exemplo, qual roupa usar quando vão a um evento. Essas já têm aquele curinga ali, guardado na manga, ops, no guarda roupa. Existem inclusive aquelas pessoas que compram várias peças de roupas, ou sapatos iguais tentando dessa forma evitar algum tipo de tensão. Aliás, nosso sistema psíquico detesta tensão e por esse motivo a comodidade é tão atraente.

Escolher dá trabalho sim, e em minha opinião quem não se arrisca acaba deixando o colorido da vida passar. Mas essa é apenas a minha opinião. As pessoas têm que ser felizes da maneira que escolherem! Tá vendo? Ser feliz também pode ser uma escolha.

A zona de conforto esta ok pra você? Você não quer mesmo subir na carreira porque prefere a vida com menos responsabilidades e não se importa de, por causa disso, viver de maneira mais simples? Não se acanhe, a escolha é sua e pela sua felicidade. Porém se você não quer uma promoção porque acredita que não vai dar conta, é urgente rever essa escolha e construir coragem internamente, porque uma hora se sentirá infeliz e desmotivado.

Existem os mais arriscadinhos. Os que torcem por um time diferente daquele de toda família, afinal houve mais afinidade e admiração por ele. Os que decidem por cada viagem um destino diferente. Nada de comprar casa na praia, evitando assim ter que ir para o mesmo lugar em todas as férias. A escolha é variar.

Escolher é difícil mesmo porque envolve perdas. Algumas são pra sempre, outras temporárias.

Quando a escolha tem a ver com relacionamento fica ainda mais difícil. Escolher ou não continuar amigo de quem se afastou quando você mais precisou. Ficar com a namorada dos sonhos ou terminar tudo porque se é novo demais para assumir um compromisso, já que a vida esta aí para ser vivida. Um filho só para a vida ficar mais tranqüila ou abrir mão de algumas coisas para ter uma família maior?

Já escutei muita gente falar que prefere se arrepender de tentar. O que quer dizer que essas pessoas estão dispostas a se responsabilizar, essas pessoas estão encarando qualquer resultado que venha diante das suas escolhas em prol de um objetivo.

Assumir riscos com discernimento pode ser o inicio de um processo de amadurecimento. Se não der certo em uma tentativa, na próxima será diferente.

Os últimos noticiários têm mostrado diariamente o resultado de escolhas mal feitas. Um desses recentes escândalos me chamou particularmente a atenção porque se tratava de uma pessoa pela qual eu nutria admiração. Não era um político, desses esperamos qualquer coisa, infelizmente. Mas, um cara que já foi ídolo nos esportes durante quase três décadas como presidente do COB, que nos trouxe auto-estima diante da escolha do nosso país como sede de um dos eventos mais importantes do planeta, as Olimpíadas.

O que vi diante das câmeras, um homem com o olhar de quem perdeu a dignidade porque se corrompeu, enganou e fez escolhas egoístas. Escolhas feitas não para o bem do seu país, mas feitas para o seu próprio bem, seu próprio ego, para o seu próprio bolso.

Hoje, diante de sua prisão, e da prisão de outros maus cultivadores, a lei do retorno se faz presente diante de uma nação. E se as leis dos homens não funcionam, a lei da reciprocidade sim!

Portanto, certa está a terceira lei de Newton, o principio da ação e reação. Se um jogador der uma cabeçada na bola essa bola sofrerá uma força, mas também exercerá outra na cabeça do jogador. É o que vemos ultimamente na política, péssimos jogadores, cheios de dor de cabeça porque ao invés de usarem a técnica usaram a força. É o velho ditado, quem planta colhe o que plantou. Impossível plantar tomate e colher abacate. Para os espíritas é a lei da causa e efeito, para os budistas essa lei é conhecida como Carma.

Independente do nome que se dê, a mensagem é a seguinte: a maioria das dificuldades pelas quais passamos é resultado da lei da ação e reação, e são fruto das nossas escolhas. Desfrutar de boa condição financeira, de amor e de saúde é uma questão de coragem!

Somos nós os únicos responsáveis por aquilo que semeamos a partir do momento em que escolhemos com quais sementes iremos trabalhar.

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Renata Lommez

Renata Lommez

Renata Lommez é Psicóloga/Psicanalista clínica desde 1994 quando também iniciou sua formação em Psicanálise, passando pelo Círculo Psicanalítico de Minas Gerais, Escola de Saúde Mental e Escola Brasileira de Psicanálise. Foi colunista titular de Psicologia na Editora Abril entre 2006 e 2011.

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