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Dor de cabeça: (cefaléia) tratamentos e causas

Dor de cabeça: (cefaléia) tratamentos e causas

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Por Rachel Capucio

A cefaléia, mais conhecida como dor de cabeça, atinge grande parte da população mundial em algum momento da vida. É uma das causas mais comuns de busca de atendimento médico. A maioria das dores de cabeça não é resultado de uma doença grave, mas algumas podem apresentar uma condição com risco de vida que requer cuidados de emergência.

Em conversa exclusiva com o Dr. Nilton Lara, neurocirurgião e especialista em dor, o mesmo alerta para o uso excessivo de analgésico.

Veja a entrevista na íntegra para o Destrinchando:

1. Existem pessoas que consideram dor de cabeça sinônimo de enxaqueca. Qual a diferença?

Há mais de 200 tipos de dor e a enxaqueca é um desses tipos. É uma doença comum nas pessoas: cerca de 11% da população têm dores de cabeça. Desses, entre 15% a 18% das mulheres, e 6% dos homens, apresentam sintomas característicos da enxaqueca. A enxaqueca é considerada uma cefaleia (dor de cabeça) primária, ou seja, é a própria doença. Nos casos da dor de cabeça causada, por exemplo, por um tumor no cérebro ou um traumatismo craniano, trata-se de uma dor que é um sintoma de outra doença (cefaleia secundária). A enxaqueca, também é conhecida como migrânea, é um distúrbio neurovascular crônico e incapacitante, com base biológica que acomete as pessoas geneticamente predispostas.

2. Em que fase da vida de uma pessoa a enxaqueca se manifesta com mais frequência?

Embora possa surgir na infância, a enxaqueca tende a se manifestar na puberdade, atingindo o pico dos 35 aos 40 anos, faixa etária a partir da qual tende a cair lentamente, em particular depois da menopausa. Agora, crianças que apresentam esse quadro vão desenvolver enxaqueca na fase adulta? Não necessariamente, mas a probabilidade é maior, claro.

3. Como você explicaria as mulheres serem mais vulneráveis à enxaqueca?

Sabe-se que a enxaqueca é realmente mais comum em mulheres, provavelmente por conta de fatores hormonais, que explicaria a diferença da ocorrência entre os gêneros. Tese que ganha força quando cruzamos com o fato de que há melhora do quadro após a menopausa. O fato é que em quase todos os tipos de dor crônica a prevalência é realmente maior nas mulheres.

4. Quais as principais características da dor de cabeça provocada pela enxaqueca?

A enxaqueca é uma enfermidade caracterizada por episódios de cefaleia, e uma das características é que ela tende a durar de 4 a 72 horas. Além disso, são comuns outros sintomas: dor unilateral, dor de intensidade média ou forte, sensação de latejamento e piora com a movimentação. E ainda ao menos um dos seguintes sintomas: náusea ou vômito; fotofobia (que é a sensibilidade à luz); e fonofobia (desconforto provocado pelos sons e barulhos).

5. Existem sinais que antecedem as crises de enxaqueca e que ajudam a identificar sua aproximação? Sim, isso pode ocorrer. A enxaqueca típica é caracterizada por sinais e sintomas premonitórios que podem surgir minutos ou horas antes da instalação da cefaleia. São eles:

– bocejos repetitivos,
– sensibilidade à luz, a perfumes e sons;
– dores na nuca;
– irritabilidade;
– náuseas;
– fadiga.

O quadro, eventualmente, inclui as auras, que são visões de linhas, ondas, pontos brilhantes ou manchas escuras, assim como formigamentos nas extremidades, na face, podendo inclusive ocorrer alterações da fala e vertigens.

6. Qual é o momento certo para tomar analgésicos?

Há que se tomar cuidado com analgésicos para enxaqueca porque, quando tomados em excesso, podem piorar o quadro. Eles podem deixar a dor mais frequente, evoluindo para um quadro de cefaleia crônica diária, associada ao uso abusivo de analgésico e que é mais difícil de ser tratada do que a enxaqueca. O que acontece é que quando tomamos muitos analgésicos externos, nosso cérebro fica “preguiçoso em fabricar os chamados analgésicos endógenos (endorfinas, entre outros). Isso pode fazer a dor pode surgir apenas porque não se tomou um analgésico, como em uma crise de abstinência. Veja, não estou dizendo para não se tomar analgésicos, eles são úteis. Mas sim para não banalizar o seu uso. Quando a pessoa toma analgésicos mais de uma vez por quinzena, uma consulta médica deve ser agendada. Agora, o momento certo para se tomar um analgésico é assim que a dor se manifesta, pois aguardar até as dores ficarem mais fortes exigirá doses mais altas de medicamentos, e consequentemente mais tempo para aliviar a dor. Até por isso é tão importante buscar um médico se essas ocorrências começarem a ficar frequentes.

7. Existem tratamentos preventivos para a enxaqueca?

Os tratamentos profiláticos são a melhor estratégia para tratar a enxaqueca. Intervenções na qualidade de vida como alimentação adequada, higiene do sono, atividade física e meditação podem ter um efeito surpreendente sobre a intensidade e sobre o número de crises. Para os casos mais refratários há necessidade de utilizarmos medicação preventiva, ou seja, medicação de uso diário, independente da dor acontecer ou não. Esses medicamentos receitados pelos médicos visam reestabelecer a produção de neurotransmissores de forma adequada, diminuindo a intensidade e o número de crises.

8. Por que se pede para os pacientes elaborarem um relatório diário a respeito de suas crises de enxaqueca?

Isso ocorre porque os pacientes tendem a subestimar ou superestimar o número e a intensidade de suas crises ao longo do tempo. Além disso, a quantidade de analgésicos tomados reflete a gravidade da doença também. Portanto, pedimos para os pacientes que anotem o número de crises, a intensidade da dor, os sintomas que acompanham a dor e se tomaram algum analgésico. Por meio de avaliações sequenciais conseguimos verificar a eficácia do tratamento ao longo do tempo.

9. Alguns alimentos desencadeiam a enxaqueca. Os principais são chocolate, queijo e frutas cítricas. Explique-nos o por quê?

Há diversos gatilhos bastante conhecidos (alimentos embutidos, queijos, vinho tinto, molhos, falta de sono, estresse, TPM, exposição ao sol) que desencadeiam as crises. Isso ocorre porque esses gatilhos interferem no metabolismo de diversos neurotransmissores, como serotonina, dopamina, noradrenalina e glutamato. A disfunção desses neurotransmissores provocam essas crises de enxaqueca. Interessante saber que os gatilhos são diferentes para cada indivíduo, de forma que cada pessoa que sofre de enxaqueca tem que aprender a conhecer os seus próprios gatilhos.

10. Há riscos de pacientes com Enxaqueca sofrerem um AVC (Acidente Vascular Cerebral)?

Em cerca de 15% dos casos, o quadro de dor é precedido (ou acompanhado) por uma aura premonitória que envolve sintomas neurológicos (como embaçamento da visão, presença de pontos luminosos, em zigue-zague, ou manchas escuras). Para essas pessoas que sofrem de enxaqueca com aura, em especial as fumantes e as que fazem uso de pílulas anticoncepcionais, há sim o risco aumentado para a ocorrência de AVCs.

CRÉDITO: GUILERMO FRIPP

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Rachel Capucio

Rachel Capucio

Rachel Capucio de Paula e Silva é advogada, graduada pelo Centro Universitário de Belo Horizonte(UNI-BH), pós-graduada em Direito do Estado (Universidade Anhanguera/Uniderp) e em Ciências Criminais ( Faculdade de Direito Padre Arnaldo Janssen).

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