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Diabetes necessita de atenção especial

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A doença modifica a aparência e espessura da pele, além de dificultar a cicatrização e facilitar infecções. Amputação de membros está entre uma das maiores complicações do diabetes.

O número de pessoas com diabetes aumentou 61,8% em apenas uma década – entre 2006 e 2016. O que significa que a doença passou a atingir 8,9% da população, segundo pesquisa do Ministério da Saúde. Quem possui o diabetes sabe como a rotina de cuidados é intensa. Além do controle da glicemia, pessoas com qualquer um dos dois tipos da doença estão mais propensas a sofrer problemas com a pele. O diabetes é uma doença crônica, na qual o organismo não produz a insulina ou, quando produz, é incapaz de exercer adequadamente suas funções. O tipo 1 é quando o pâncreas perde a capacidade de produzir a insulina, e o tipo 2, ao contrário do primeiro tipo, produz a insulina, mas o corpo pode criar uma resistência a ela. Por exercer papel importante para a pele, a deficiência da insulina pode causar diversas alterações e complicações.

Segundo a dermatologista e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, Teresa Noviello, a alta taxa glicêmica pode afetar a pele de diversas maneiras. “Além do aspecto mais fino e ressecado, a pele de pessoas com diabetes tende a ser mais sensível, com dificuldade para cicatrização e propícia a infecções”, aponta. O ressecamento, de acordo com Teresa, se dá devido a facilidade para desidratação que o paciente possui. “Diabéticos costumam ter a pele xerótica, ou seja, mais ressecada. Esse ressecamento é perigoso, pois pode formar fissuras ou descamação, tornando a área favorável para a proliferação de bactérias”, explica.

Pessoas com diabetes também estão mais propícias a terem dificuldade com a cicatrização. Isso acontece, porque a hiperglicemia pode prejudicar o sistema imunológico. “Independente do tamanho ou gravidade, qualquer lesão na pele merece atenção, para evitar infecção”, alerta. Um dos problemas mais graves que acomete quem tem a doença é conhecido como “pé diabético”. Essa complicação é caracterizada por infecções ou problemas na circulação dos membros inferiores. A dermatologista explica que devido a sensibilidade cutânea prejudicada, até mesmo uma pedra no sapato ou unha encravada pode machucar o pé do indivíduo e ele não perceber. Por conta da dificuldade de cicatrização, essa lesão pode evoluir para uma infecção e, até mesmo, para uma amputação. A gravidade desse quadro se dá, pois essa é a causa número 1 de amputações não traumáticas no país. De acordo com o Grupo de Trabalho Internacional para o Pé Diabético, um caso ocorre a cada 20 segundos no mundo.

A boa notícia é que todos esses problemas podem ser evitados, se tomadas medidas de prevenção. A primeira delas é o controle das taxas de glicose no sangue, já que a grande maioria das complicações é decorrente do descontrole do diabetes. A atenção redobrada com lesões também deve estar no topo da lista de cuidados diários.  A dermatologista explica que o ideal é evitar, mas quando uma ferida surgir, recomenda-se lavar com água limpa e sabão e tampar com curativo seco, realizando a troca diariamente. Em todos os casos, procure sempre o seu médico ou um profissional especializado. “Membros inferiores pedem ainda mais cuidados. Evitar andar descalço, enxugar bem entre os dedos e não deixar as unhas encravarem são medidas essenciais”, conta Teresa.

Para evitar o ressecamento da pele, a hidratação é fundamental. Beber bastante água e usar um hidratante corporal é o recomendado. Mas não é qualquer produto que pode ser usado por diabéticos. Cremes hidratantes com álcool na composição, por exemplo, podem piorar o ressecamento da pele. “Quem vai indicar qual produto é melhor será o dermatologista após a avaliação da pele. Esse ritual de hidratar a pele com cremes é importante, pois dessa maneira o paciente estará inspecionando a pele e verificando se há alguma lesão a ser tratada”, afirma Noviello.

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