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Dando um tempo

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Destrinchando

Por Débora Blanda

Qual sua medida de tempo? Medimos nosso tempo em anos, meses, semanas, dias, horas, minutos. Em lugares mais próximos aos polos, onde a luz do dia não é tão abundante ou tão constante como aqui, as horas de sol fazem com que no dia de lá não caiba o mesmo tempo que cabe em um dia daqui. Medimos o tempo por estações do ano e até por fases da lua, mas tenho percebido outros marcos de tempo.

Alguns desses marcos estão ligados ao entretenimento, por exemplo quando você cita a temporada de uma série de TV. Se você acompanha séries e tem amigos que acompanham também você provavelmente já teve aquela conversa em que você precisa descobrir em qual temporada e em qual episódio seu amigo está para evitar spoilers na conversa. Talvez você também associa outras atividades e fases da própria vida com séries e temporadas que você estava assistindo, acompanhando. O mesmo vale para esportes, quando seu time foi para Libertadores, quando seu time estava com um jogador X ou Y, quando seu time ou o atleta que você acompanha chegou na final…

Outro grupo de marcos são as referências estéticas como seu peso ou a cor do cabelo; esses são percebidos em frases como “mas isso foi quando eu ainda era magrinho”. Minha irmãzinha está sempre com uma cor (ou cores) nova(s) no cabelo, o que nos ajuda a perceber o tempo, ou a sequência de acontecimentos (porque primeiro foi o cabelo azul depois o roxo, se nessa foto ela está com o cabelo azul isso foi antes…)

Talvez nossos grandes marcos estejam relacionados a nossas atividades, para os estudantes o ano, o semestre ou o trimestre letivo; a semana de provas, as datas de matrícula e de entrega de trabalhos. O mesmo vale para as profissões, seja contar o tempo de relatório em relatório, pela troca na gerência ou por onde você estava trabalhando em determinada época. Ainda tem o caso dos médicos, jornalistas e tantos outros profissionais que vivem de plantão em plantão. Quantas pessoas trabalham de noite e descansam de dia, não folgam nos fins de semana; quanta gente vai de projeto em projeto, de trabalho em trabalho. Tem quem trabalhe um dia e folgue no outro: sempre trabalhando, sempre descansando…

Tem também músicas que marcam estações da nossa vida, como uma trilha sonora. Além dos relacionamentos os lemas são marcos, aquela frase que te motivou, aquele versículo que te transformou, aquela verdade que trouxe sentido para as coisas, que sintetizou um período de tempo que não poderia ser exprimido em horas ou dias. Marcamos o tempo, perdemos tempo, damos tempo (as vezes para as pessoas e coisas que não o merecem, como pérolas aos porcos).

Se é tempo de olhar para trás e ver como vivemos é tempo de perceber que precisamos aproveitar melhor nosso tempo, temos que nos dar tempo: tempo para deixar feridas cicatrizarem, tempo para aprender, tempo para descansar, tempo para se conhecer. Que nesse novo ano você se dê tempo para viver, para apreciar e para continuar contando tempo de temporada em temporada, de período em período.

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Debora Blanda

Debora Blanda

Estudante de Arquitetura, frequentemente pensando alto.

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