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Corporativismo

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CORPORATIVISMO ESCRAVIZANTE

Por Paulo Solmucci

Somos campeões mundiais em fragmentação partidária. É o que se constatou no levantamento feito pela Universidade de Gotemburgo, na Suécia. A pesquisa foi divulgada pela BBC, em junho deste ano. Os dados que embasaram a análise são de 2011, em uma comparação entre 110 países.

O Brasil tinha, então, 22 partidos com representação na Câmara Federal. De lá para cá, o número subiu para 28.

As tentativas de se acabar com o carnaval partidário são sufocadas pelo mesmo corporativismo que impera em todas as áreas do setor público brasileiro. Talvez não haja uma só categoria profissional que fique de fora dos milhões de vespeiros corporativistas espalhados por este imenso país continental.

Nos seus ninhos, locas e grotas há policiais, médicos, professores, economistas, arquitetos, advogados, administradores de empresa, psicólogos etc etc etc. Onde quer que espalhem seus ninhos, estão protegidos por sindicalistas, vereadores, deputados estaduais, deputados federais, senadores.

Somam-se a eles as ONGs e as entidades acariciadas com dinheiros advindos dos pagadores de impostos, isto é, dos brasileiros que ralam: empregadas domésticas, faxineiras, porteiros, lixeiros, motoristas de ônibus, enfermeiros, agricultores, donos de bares e restaurantes, profissionais liberais da advocacia, da medicina, da engenharia etc etc etc.

A questão é que faltam professores nas salas de aulas, médicos nos postos de saúde, guardas florestais na Amazônia, policiais até mesmo nas fronteiras aqui por perto, como as do Paraguai e da Bolívia. Vivas aos professores que ensinam, aos médicos que medicam, aos guardas que vigiam.

São os nossos heróis, que se dedicam ao bem comum. A eles devemos melhores condições de trabalho e mais salários, decorrentes de avaliações de desempenho dignas e transparentes.

Acontece que esses heróis da pátria – seres humanos verdadeiramente maravilhosos, porque se movem pelo ideal de a todos servir – são ludibriados por expressivas parcelas de aproveitadores que se alojaram no Estado brasileiro.

Os parasitas estão “lotados” (é esta a palavra que usam!) nos gabinetes, desentortando clipes, olhando o relógio e o calendário dos pontos facultativos.

Desprezam e punem os que trabalham com as suas isonomias do ócio. Dos 5,57 mil municípios brasileiros, 4,8 mil não têm Corpo de Bombeiro. Caramba! Só 770 cidades do país têm Corpo de Bombeiro. Faltam soldados do Corpo de Bombeiro. Sobram burocratas da mais absoluta inutilidade.

É assim que se inventaram os tais “direitos adquiridos”, cuja soma representa a imensa quantidade de “direitos subtraídos” da população deste país mal situado em qualquer classificação internacional de distribuição de renda, educação, saúde, saneamento básico, segurança pública.

Qualquer arrumação da casa gera o protesto daqueles são donos de direitos adquiridos. Meia dúzia de sujeitos fecha a Avenida Afonso Pena.

Eis mais um colossal cabide. São 28 partidos na Câmara Federal. Quando somavam 22 partidos nessa casa legislativa, em 2011, o jogo político era definido por uma disputa entre 11 partidos, segundo o estudo da Universidade de Gottemburgo.

Ou seja, só 11 partidos de fato contavam no jogo. Hoje, são 14 que têm peso efetivo em volta da mesa de roletas. Os outros 14 partidos se engalfinham pelas sobras.

Na mesma comparação, estes são os números dos partidos que, em 2011, efetivamente participavam das decisões políticas nos seus respectivos parlamentos: Estados Unidos, 2; Japão, 3; Coreia do Sul, 4; Portugal, 4; Dinamarca, 5; Alemanha, 6; Brasil, 11. Por que tanto partido por aqui?

Pra começo de conversa, há o dinheiro do fundo partidário. E, além disso, entram na mesa do baralho as negociações – de grana ou de cargos – com as coligações e o tempo de televisão.

São as chamadas legendas de aluguel, as lojinhas das maracutaias.

Paulo Solmucci

Paulo Solmucci

Paulo Solmucci - Presidente da ABRASEL (Associação brasileira de bares e restaurantes).

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