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Comemoração dia dos Pais

Comemoração dia dos Pais

Comemoração dia dos Pais

Por Renata Lommez

Pai, você foi meu herói, meu bandido.

Adoro me inspirar em frases de músicas para escrever meus textos. Quem me acompanha já deve ter reparado. Se eu tivesse nascido nos EUA, onde é livre a nomeação dos filhos meu nome certamente seria Music. Mas essa é apenas mais uma das minhas confissões, vamos ao texto.

Para homenagear os pais escolhi essa frase atemporal da musica histórica do Fabio JR. que já emocionou tantos pais e filhos e que tanto tem a nos dizer.

A cada geração fica mais visível a mudança no papel e comportamento dos pais em uma família.

Para elucidar melhor essa evolução adaptei para os pais uma frase maravilhosa do psicanalista Antonio Quinet, mas que se refere às mães. Aqui, no caso: Um pai precisa ser suficientemente bom. Isso quer dizer que o papel de um pai diante do seu filho é dar apenas o que é necessário para que esse filho possa caminhar sozinho e com as próprias pernas.

O amor tem que ser suficiente, a atenção, os cuidados, os bens materiais. Nem mais nem menos. Tudo suficiente.

Acredito que a minha geração presenciou os três tipos de pai. Até meados dos anos 70 o pai autoritário, que por se achar acima do bem e do mal nenhum ganho psíquico proporcionou aos filhos. Já nas décadas de 80 e 90 o pai pateta e que com preguiça de suas responsabilidades deu demais e estragou os filhos. E esse novo pai, esse pai contemporâneo com mais poder do que nunca, o poder de amar. Esse que foge de velhos e falidos modelos de pai, e que escolheu não repetir nem inverter os erros dos próprios pais.

Tem pai que passou pela transição, viveu os dois papéis e hoje se descobriu suficiente.

Tivemos o pai vilão, o provedor. Alguns nem entrar na cozinha de casa entravam. Eram servidos. E temidos. Eram pais só bandidos.

Na escola só compareciam no dia dos Pais e olhe lá! O trabalho era uma justificativa aceitável diante da ausência deles no dia da festinha esperada. Era normal.

Eram filhos criados em um ambiente de muita responsabilidade, muito temor e pouco afeto, ou quase nenhum. Muitos bem sucedidos na carreira, mas que não souberam amar seus próprios filhos, ou não souberam amar ninguém, ficaram vazio de afetos.

Depois essa severidade ficou (toda!) de lado, quando no fim dos anos 60 começou um movimento liberal, onde todo mundo podia tudo.

Ai a balança pesou de novo, para outro lado e bruscamente. Era muito amor para pouca autoridade, o não era palavra quase proibida, afinal não se podia castrar uma criança. Uma geração de filhos sem limite. Eram pais só amigos, que não buscavam o respeito dos filhos e dependiam do seu amor. Eram filhos perdidos, sem referência de certo e errado.

Pai ausente traumatiza, desmotiva. Super pai sufoca, inibe.

Vemos cada vez mais pais que conscientes do seu papel na formação de cidadãos se envolvem responsavelmente e afetivamente no dia a dia dos seus filhos. Pais que buscam seus filhos na escola, que levam cedinho seu BB no carrinho para passear e que comparecem as reuniões da escola, muitas vezes no lugar da mãe.

Muitas empresas, sabendo da importância do apoio e presença dessa figura em um momento ímpar da família, têm oferecido aos seus funcionários licença paternidade de um mês.
Tranquilidade e unidade reinam nos lares que possuem esse privilégio! É a busca da igualdade de direitos e deveres também para eles.

Há muito tempo proibi no consultório certa frase para minhas pacientes com filhos e foi um sucesso no casamento e na criação das crianças. A frase é: meu marido me ajuda muito com as crianças. AJUDA?

Não! Hoje o pai compartilha, divide e está presente na rotina dos filhos. A responsabilidade é dos dois. Os filhos não são apenas filhos da mãe. São também filhos dos pais.

A função desse pai, que nem sempre é o real, se divide então entre ser herói e ser bandido. O pai odiado em muitos momentos da infância em decorrência de responsáveis nãos e que, por isso mesmo, será eternamente lembrado com gratidão, durante a bem sucedida vida adulta de seu filho.

Hoje a função paterna, também exercida por pais adotivos, pela mãe, ou tio, ou avó, é mais significativa e reconhecida do que a figura do pai homem, no masculino e que só está na certidão de nascimento, quando está. O pai simbólico, aquele que substitui o real em seu papel na formação de um sujeito não é apenas mais do avô, ou do padrinho, ou do padrasto. Pode ser também da madrasta, casada com a mãe. Pode ser do padrasto, casado com o pai.

Enfim, os pais contemporâneos os são porque desejam ser. Não é mais uma obrigação social ser pai. Por isso o olhar de pai para filho e vice versa mudou. E é o olhar parental que forma um sujeito.

Saiu a tirania e entrou o amor, suficiente. Saiu a indiferença e entrou o respeito, de um para o outro.

Pais que olham os filhos olho no olho. Filhos que não precisam mais olhar do andar de baixo para o andar de cima aqueles que serão um exemplo para toda uma vida.

Pais que desejam formar cidadãos e que, querem ser lembrados pelos seus filhos sempre que as palavras honestidade, caráter, lealdade e empatia forem citadas, em qualquer língua, a qualquer tempo, e com amor.

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Renata Lommez

Renata Lommez

Renata Lommez é Psicóloga/Psicanalista clínica desde 1994 quando também iniciou sua formação em Psicanálise, passando pelo Círculo Psicanalítico de Minas Gerais, Escola de Saúde Mental e Escola Brasileira de Psicanálise. Foi colunista titular de Psicologia na Editora Abril entre 2006 e 2011.

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