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Chuvas 2017

Chuvas 2017

Chuvas 2017

Por Débora Blanda

Estamos vivendo uma temporada chuvosa, eu percebo as pessoas dividindo entre lovers e haters. Há quem goste da chuva só para curtir uma maratona Netflix, dormir, e com sorte que abastecer nossas represas e regue as plantações.

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Há quem tema pela própria vida, por sua casa, gente que enxerga a chuva pelos perigos que ela trás. Tem ainda quem considera a chuva inconveniente: ela te molha, complica o trânsito, te faz pensar duas vezes antes de calçar camurça.

Sem falar no guarda chuva, indispensável, mas insuficiente afinal ele te deixa molhar (seja o carro que espirra água, a poça d’água ou o vento), é sem jeito de guardar e vai ficar pingando quando o destino final for alcançado. Supondo, é claro, que ele abriu, afinal o que não falta nesse mundo é sombrinha manca.

Passear no parque, fazer trilha, andar de skate na rua, sentar em qualquer banco da praça não são bem o tipo de coisa que você faz com esse tempinho.

Nesse ponto você já deve ter percebido que eu tenho uma certa predileção por dias de sol. Ver o céu limpo, lindo e azul me deixa alegre. Me faz querer ir pra praça, me faz querer fazer alguma coisa.

Sem ter que pensar em qual sapato não vai ensopar, em qual blusa é mais impermeável… É só ir, só sair e curtir meu dia. Se essa predileção foi um dia desleal – amo sol, detesto chuva- hoje ela beira o equilíbrio.

E não é só por causa das maratonas de Netflix na cama, é porque chuva faz falta. Eu me peguei com saudade de chuva, de ver ela caindo, de andar na chuva; de sentar na praça, aberta, na chuva.

Se possível com amigos que me lembrem que se a gente molhar é só secar, que a chuva lava e não faz a gente desmanchar. Chuva é bom.

Outra coisa muito boa: nuvens. Explorar uma cidade em dias quentes de sol pode ser empolgante, mas é sobretudo árido. E aqui chega a parte que eu realmente quero compartilhar com você, é uma foto, um momento.

Um momento especial para mim e o registro daquela paisagem que me faz voltar lá. Esse meu momento foi a virada de um dia ruim, desses que você se atrasa, as coisas não saem do seu jeito… Era um dia nublado, não chovia mas o ar era úmido, garoando até.

E mesmo que aquele dia se desenrolasse torto eu insisti. Eu insisti em visitar uma das cidades que mais gostei, eu fui, andei, me perdi. Tudo isso debaixo de um céu cinza, desses que te faz esquecer que o sol ainda está lá. E foi no fim de tarde, sem ver o sol se pondo, sem ter cores no céu, que eu cheguei nessa tal paisagem.

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Sozinha, me sentindo corajosa por ter insistido, por ter chegado. Me sentindo grata por estar ali, admirada com a beleza que eu via, independente do lado que eu olhasse. E eu tinha uma música perfeita para ouvir ali.

Ela provavelmente não seria a sua música perfeita, ela nem foi inteira perfeita para mim ali, mas ela cantava “felicidade é um fim de tarde olhando o mar”, e aquele momento foi felicidade: era eu olhando o mar num fim de tarde cinza e lindo.

Era eu e o Pacífico na minha frente, era o sentimento que a gravidade não me segurava, não me diminuía.
Era contemplação, beleza e muita gratidão. Era um pouquinho de orgulho também.

Meu mundo cabe entre o Pacífico e o Atlântico. Ali na beirada do Pacífico foi o mais longe que eu cheguei. O plano agora é ir além.

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