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Califórnia

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Por Lucas Machado

‘Dom Quixote de La Mancha’, considerado por muitos o primeiro romance moderno. A história é uma versão bizarra dos gloriosos cavaleiros das cruzadas, um forasteiro que, com seu cavalo Rocinante e seu fiel escudeiro Sancho Pança, sai de “La Mancha” desbravando e cometendo desatinos.

Apesar de mostrar desenvoltura, não foi Dom Quixote quem avistou pela primeira vez o “Golden State” (Estado Dourado) e sim, o português João Rodrigues Cabrilho, também conhecido por Juan Rodrigues Cabrillo, por volta de 1542.

Depois disso, a Califórnia foi usurpada do México, pelos irmãozinhos Yankees. E como é verão, vamos soltar a musculatura. Skate, praia, esqui, surf, bolsa de valores, Schwarzenegger, Hollywood, Vale do silício, San Francisco, Golden Gate, La Migra, chicanos, tacos, burritos, Suicidal Tendencies, Rage Against de Machine, Cypress Hill, Sublime, The Doors, terremotos, Alcatraz, neurocapitalismo e tudo mais…

Bom, foi em meio a alguns desses ícones que baixei as portas da minha skate-shop, larguei o Renato Russo e o Cazuza falando sozinhos e fui ser mais um estudante, ou melhor, imigrante, nas terras do Tio Sam.

A Califórnia é o estado com o maior contingente de imigrantes latino-americanos. A maioria com a mesma filosofia: ficar rico e voltar para casa, no mínimo falando outra língua e blá, blá.

Os americanos, em especial os ricos e brancos, consideram a imigração um risco ao país, causando uma onda de xenofobia organizada.

Mas meu destino era Venice Beach. O berço do Sk8 com Stacy Peralta, Tony Alva, Jay Adams, os caras que quebraram o protocolo, levando o surf para o asfalto, os verdadeiros vagabundos urbanos e revolucionários. Garotos com uma vida dura e com atitudes mais duras ainda. Venice é sinônimo de skate e surf também..

A Califórnia, em todos os sentidos, dispara em números e curiosidades. Com uma população menor que a do estado de São Paulo e o PIB duas vezes maior que o do Brasil, se fosse um país, seria a sétima potência mundial.

Banhada pelo Pacífico, bronzear-se pela manhã e terminar a tarde esquiando em um pico nevado é normal. Estilizada, libertária e consumista, a “Califa” também foi imortalizada pelo cinema de Hollywood.

Como nem só de ficção e Schwarzenegger vive o mundo, o país segue na política que se transformou em compêndio das mazelas das administrações anteriores.

A crise atual torna público na Califórnia o desabamento das cortinas de ferro da sociedade puritana da Hollywood Boulevard.

Enquanto isso, a mãe natureza arrebata com terremotos, queimadas e altas temperaturas. Tudo aquilo que está escrito naquele livrinho velho e empoeirado, deixado de lado no canto da sala, com o último capítulo chamado ‘Apocalipse’. Irmão, não importa o tamanho do seu ego, viva o Skate e Fuck the American Way of Life.

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Los Angeles – Califórnia

Lucas Machado

Lucas Machado

Escritor, profissional de Marketing e Comunicação.

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