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As Lições de Cacoal.

Em novembro do ano passado, estive em Cacoal, no interior de Rondônia. Foi um abalo. A cidade tem uma população urbana de 70 mil habitantes. Outras 18 mil pessoas moram na área rural.

O município já atingiu a 85% de coleta e tratamento de esgoto. Chegará aos 100% em menos de quatro anos. É um feito extraordinário. Basta lembrar que a média brasileira de coleta e tratamento de esgoto não chega a 50%.

Há, lá, quatro universidades oferecendo 50 cursos, inclusive os de medicina, odontologia, veterinária, direito, economia e de três áreas da engenharia. Há uma ótima rede hoteleira, com pelo menos três hotéis cinco estrelas. Há seis hospitais, entre eles um especializado em oncologia.

É o maior polo de gastronomia do interior de Rondônia e um dos maiores da região Norte do país. Tem o mega empreendimento turístico do Cacoal Selva Park, que está em uma área de 290 hectares, sendo 40% de reserva florestal. É um resort com restaurantes, bichos pulando de galho em galho, mais de 100 unidades para hospedagem, playground, trilhas, piscinas (inclusive uma com ondas artificiais), toboáguas etc.

E por aí vai: maior produtor de café de Rondônia, quarto rebanho bovino, polo de indústria de confecções. Há marcas locais de iogurtes e sorvetes, que são exportadas para outros estados. Uma coisa fora de série.

Assim que cheguei a Cacoal, fui direto fazer uma palestra, sabendo quase nada do lugar. Falei da inarredável crise econômica brasileira. Foi a maior bola fora da minha vida. Que crise? Desemprego não há. O pessoal está animado, ampliando seus negócios. Os voos sempre lotados. Mas, por que isso?

É que Cacoal foi feita por empreendedores. O município surgiu há 39 anos, em 26 de novembro de 1977. Muita gente de Minas se estabeleceu na região. E também do Espírito Santo, de São Paulo e de todo o Sul. Em 1972, o governo ofereceu terras. Ganhava terra quem desmatasse metade do terreno, não ganhava a terra. Aceitava isso, ou nada feito.

Deslocou-se a Cacoal uma enorme leva de agricultores. Mas também se estabeleceram no futuro município gente que se dedicou ao comércio, à indústria moveleira, às confecções, à gastronomia dos bares e restaurantes, à hotelaria, aos empreendimentos da educação e da saúde.

Cacoal está a 480 quilômetros da capital de Rondônia, Porto Velho. Tem vida própria. Faz feiras de negócios, festival gastronômico, encontro nacional de motociclistas, convenções de evangélicos.

Um sujeito me chamou para conhecer o seu restaurante a quilo. Uma beleza. No meio da conversa, me contou que vai mudar o estabelecimento para um lugar mais amplo. Demos um pulo até às obras. Está investindo R$ 1,4 milhão. O novo restaurante tem estacionamento subterrâneo.

Os empresários de lá acham, como nós, que o Brasil é excessivamente burocrático. Tem leis saindo pelo ladrão. Uma coisa sufocante. Mas eles não se importam tanto como nós que somos do Nordeste, do Sudeste e do Sul. É que o ambiente empreendedor é tão presente, em cada canto de Cacoal, que nele não há espaço para os flanelinhas advocatícios, que ficam nas portas das empresas convencendo os empregados a entrarem com a ação trabalhistas contra os patrões.

Isso aqui é uma praga. Criou-se uma onipresente indústria de ações trabalhistas. O Brasil tem jeito, sim. É só pegar o jeito de Cacoal. Somos uma terra de oportunidades. As oportunidades têm de se transformar em
riqueza para a sociedade. É preciso que nos libertemos do mundo oficial, que não leva a nada.

Só leva a um vaivém de crises. Há quanto tempo estamos nessa? Precisamos mais do que um ajuste fiscal.
Precisamos de um ajuste mental, em Cacoal.

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Ana Beatriz Barros

Lucas Machado

Lucas Machado

Escritor, profissional de Marketing e Comunicação.

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