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Burocracia

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Burocracia

Por Paulo Solmucci

Burocratas!

Estamos pagando um preço alto para ver como é a nossa vida real. Com o desemprego estratosférico, muita gente está partindo para o próprio negócio. Aí se depara com o caos institucional.

Uma legislação trabalhista que é campeã mundial em complicação. Taxas de juros enlouquecedoras. Uma bateção de carimbo sem fim, nos 13 mil cartórios espalhados pelos 5,6 mil municípios.

Mais de 57,4 mil vereadores com mania de inventar e aprovar leis sem pé nem cabeça. Caramba: 5,6 mil municípios, 57,4 mil vereadores.

Pode? Como é que um negócio consegue florescer nesse tsunami diário de adversidades? A medida do desvario é a taxa de juros de cartão de crédito: 480% ao ano.

Nos Estados Unidos, se o sujeito não paga o cartão, tem de arcar, no máximo, com uma taxa de 30% ao ano. Onde é que o Brasil tem errado? Que pergunta, hem? Isso vem lá de longe. Mas, a coisa ficou feia
nos últimos tempos.

A burocracia aumentou. A arrogância dos juízes e fiscais, idem. As entidades sindicais, sejam de trabalhadores ou de patrões, cada vez mais ultrapassadas. Cheiram à naftalina.

Quando o jovem casal tenta achar uma saída para o desemprego, depara-se com uma só alternativa: abrir um negocinho qualquer. Uma lanchonetezinha ou um barzinho está entre as primeiras opções. Se resolver empregar alguém, o trem ficou ainda pior.

A legislação trabalhista, na qual cada cabeça de juiz é uma sentença diferente, vai argolá-los. O casal sentirá na pele que o Brasil está sufocado por excesso de Estado.

Um Estado tresloucado. Encruou-se a ideia, dentro das repartições públicas, que qualquer empresário é um burguês, um neoliberal, um capitalista. Quando não havia tanto desemprego, muita gente até acreditava nisso.

Mas, a dura realidade está impondo uma nova pedagogia. Quem tenta se agarrar no novo negócio, como se fosse uma tábua salvação, vê que, na prática, a teoria é outra. Então, o casalzinho – ou melhor, o neo burguês, o neocapitalista ou neoliberal – quer votar contra os estatizantes.

E, se não encontra o anti estatizante na lista dos candidatos, parte para o nulo ou em branco. Como é que o fundamentalista da burocracia estatal interpreta isso? O diagnóstico dele: o Brasil está partindo para o conservadorismo.

Ora, ora, ora. Que conservadorismo é esse, cara pálida? Conservador é quem quer manter as coisas do jeito que estão. O povo quer trabalhar, sustentar a família, educar os filhos, ler, viajar, ir ao médico, ter um pouquinho de sossego.

Quer liberar, sim. Liberar o país das forças seculares forças do atraso, que se nutrem da apropriação do Estado por corporações sanguessugas.

As eleições surpreenderam os mais atentos e competentes analistas. Os analistas também ficaram superados. Os brasileiros estão enxergando a vida real. E veem que nada precisaria ser do jeito que está.

O país tem uma potencialidade enorme, que só se revela quando há uma extraordinária conjunção de fatores que nos são inatos: garra, criatividade, simplicidade no fazer, união de propósitos, obstinação, persistência.

Com este composto, veio à tona a Embraer. O Brasil de um show no espetáculo da Olimpíada. Há duas décadas, emergiu o vigoroso agronegócio brasileiro, que serviu de âncora ao Plano Real e, hoje, tem segurado a barra pesada da economia nacional.

O formidável desempenho do agronegócio deve-se ao persistente e incansável trabalho da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA). Há vinte anos, a FPA se esfalfa, diariamente, na interminável peleja de desencaroçar, em Brasília, o angu da burocracia e das complicações estatais, que têm fôlego de gato.

Estes exemplos revelam a nossa alma, a nossa regra, a nossa conduta, a nossa mais verdadeira essência. Xô, xô, xô anacronismo. Com o seu silêncio, os eleitores gritaram: Brasil, mostra a sua cara.

Paulo Solmucci

Paulo Solmucci

Paulo Solmucci - Presidente da ABRASEL (Associação brasileira de bares e restaurantes).

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