Livro DestrinchandoLucas Machado

Bossa Nossa por Jobim

Bossa Nossa por Jobim

“Há quem se gabe de ser preso. Eu, não. Para mim os homens de bem devem andar soltos, Como os ladrões”. Antônio Carlos Jobim – Sobre sua prisão em 1970 por recusar-se a tocar em um festival de canção
BOSSA NOSSA POR JOBIM
Assim como os músicos podem navegar pelas suas coleções e se divertir colocando trechos em canções. Porque nós meros mortais que temos conexão com a palavra não podemos fazer algo assim também? Neste
destrincha resolvi deixar minha mente solta, cortei parágrafos, palavras e linhas e fui costurando ou melhor compondo minhas ideias.
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Escolhi a Bossa Nossa de Jobim e tantos outros, a resposta está ai. Boa leitura.

É difícil definir o que fez de Antônio Carlos (Tom) Jobim algo tão inspiraste, evocativo. Talvez seja pela sua honestidade, através de qual o maestro e compositor conseguiu em vida traduzir a emoção em estado puro, ideias e sentimentos transformados em ondas sonoras.

Foi na Tijuca – R.J. que nasceu um dos músicos e compositores mais internacionais de todos os tempos. O médico que o trouxe ao mundo foi o mesmo que, dezessete anos antes, fizera o parto de Noel Rosa. Mas
afinal quem foi e como viveu essa lenda?

Tom nadou antes de andar, na adolescência era um moleque de rua, vida de calção e pés descalços, com horizontes a perder de vista. Empinava pipas, pescava, caçava tatuís e fazia capoeira com mestre Sinhozinho.

O mar foi um dos desafios que ele venceu. ‘’Eu era um verdadeiro peixe, um barco para qualquer mar’’. Com os Pescadores aprendeu tudo sobre as chuvas, ventos e marés.
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Aos dezoito anos já gostava da vida noturna assim como o mar e o sol. Fumava e bebia e seu principal talento era harmonizar músicas de bandas com guaitas-de-boca. Mesmo sem perspectiva de emprego, largou o primeiro ano de arquitetura e foi estudar música. Casou-se com 22 anos e teve que viver de música profissionalmente como pianista.

E como na maioria dos casos de quem vive na noite, bebia mais do que comia e não dormia. Mas seu talento era nato, foi para gravadora Continental, onde pode compor, arranjar e gravar. Compôs com Vinícius de Morais as canções da peça Orfeu da Conceição (1956) entre elas ‘’Se todos fossem iguais a você’’, logo depois em 1958 com Elizeth Cardoso no ainda LP Canção do amor de mais, como ‘’Chega de saudade’’. Na mesma época teve seu reencontro com João Gilberto, nascia assim a
Bossa Nova.

Jobim compôs com Newton Mendonça, Dolores Duran, Marino e Aloísio Pinto. Nos anos 70 foi um militante da ecologia, suas visitas frequentes ao sítio da família em Poço Fundo em Petrópolis, no caminho
da corrida do ouro, rumo as Gerais, a maresia deu lugar ao cheiro de mato e repercutiu em seus discos como: Matita Perê, Urubu e Passarim. Era um Jobim mais próximo a Carlos Drummond, Guimarães Rosa e Mário Palmério.
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Nada foi muito fácil na vida de Tom, comprou seu primeiro carro e apartamento aos 36 anos, foi quando saiu a primeira vez do Brasil para fazer no Carnigie Hall em NY um concerto de Bossa Nova, foi acusado de
americanizado quando cedeu ‘Águas de Março’’ para uma campanha mundial para Coca-Cola. Porém os E.U.A. o adotaram e lhe proporcionaram o que talvez seu próprio país o negou. Enfim a Bossa é nossa e Jobim também.

O Brasil poderia ter ouvido mais suas letras, entrevistas e papos de butiquim. Talvez ainda tenhamos tempo, essa é minha contribuição.

lIVRO: DESTRINCHANDO – GUERREIRO DO ASFALTO – POR LUCAS MACHADO

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Lucas Machado

Lucas Machado

Escritor, profissional de Marketing e Comunicação.

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