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Beleza

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Por Débora Blanda

Qual foi a coisa mais bonita que você já viu? Que os mais narcisistas hesitem antes de responder “meu reflexo no espelho”. Talvez a cena mais bonita foi um pôr-do-sol, todas as cores no céu, a paz do final de tarde.

Talvez não só tenha sido um lindo crepúsculo mas um lindo crepúsculo em um lugar especial: no alto de um monte, de frente pra praia, no oceano, no alto de um edifício, no meio de uma rua especial. Talvez fosse um alvorecer e não um fim de tarde. Talvez não tenha tido pôr-do-sol mas tenha sido o cenário perfeito.

Pode não ter sido cenário nenhum, pode ter sido alguém. E não só alguém muito belo, simétrico e atraente. Talvez tenha sido o olhar de alguém. O olhar de dependência e confiança de uma criança ou o olhar inseguro e sincero de alguém que se importa com você e quer saber se você se importa por ele com a mesma intensidade. Acredito que poucas coisas na vida são tão belas (e fazem tão bem) quanto receber um olhar de amor.

Sabe aquele olhar? Aquele que vem com alguma empolgação, uma pitadinha de medo ou receio, uma dose grande de admiração, carinho e, claro, muitíssimo amor. (Não deixe o dono desse olhar escapar, é uma beleza rara e deve ser cultivada)

Onde estará a beleza? Talvez a coisa mais linda tenha sido uma descoberta, um aprendizado, uma epifania. “A beleza está nos olhos de quem vê” eu vou repetir, porque há quem não consiga ver a beleza disfarçada de grafiti, camuflada no cinza e há quem encontre beleza em tudo, no desfecho mais triste, na flor sozinha (e morta) na calçada, em qualquer coisa que quebre a rotina, que tenha alguma cor, que tenha alguma assimetria, que desperte alguma emoção.

Há que só vê beleza no crepúsculo mais colorido e quem vê beleza até nas nuvens cinzas. Há quem só encontre o belo na natureza, na criação e quem não deixa passar a beleza da criatividade, da criação humana – que é, para mim, mais prova da nossa semelhança com o Criador- representada na grandeza das nossas edificações, na persistência dos edifícios mais antigos, nas luzes acesas na cidade e no fluxo de carros em suas artérias.

A cidade é linda, mesmo nas suas cicatrizes. A natureza é belíssima, até quando confinada no meio de um grande centro urbano. A beleza está aí, aqui e em todo lugar. Precisa só um esforcinho nosso para encontrá-la e contemplá-la e, se possível, apontá-la para quem ainda não a percebeu.

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