Destrinchando

Automobilismo

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Sempre acompanhei corridas. Seja do que for. Desde pequeno, a competição me atrai e usando um veiculo automotor, outra paixão, ficou fácil me apaixonar por elas.

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Lembro-me que, ainda bem moleque, ganhei um capacete que não me recordo a marca, um casco de plástico duro, que tentava imitar os capacetes usados pelos heróis da Formula 1.

De lá para cá, sempre fiquei atento a todo tipo de corrida, fosse no Brasil ou no exterior e já com 16 anos, numa viagem para a Florida, EUA, enquanto meus amigos iam para o parque do Mickey, fui para Daytona, ver um pedaço da Winston Cup, uma corrida de longa duração, mas que eu só pude ver por alguma horas, pois tinha que voltar para a “excursão”.

Mas jamais me esquecerei da primeira vez no meio de Porsches, Corvettes, Camaros e outros tantos carros de sonhos, que estavam ali, bem na minha frente.

O vírus estava mais que instalado e daí para frente o interesse só aumentou.

Andei na arrancada, durante 4 anos, com um Bel Air, 1951, totalmente construído em minha oficina e conseguindo resultados expressivos, tanto aqui em Minas, onde fui duas vezes vice campeão, como em provas fora, como na fantástica pista de Piracicaba, onde um “grip” (grip é quando o carro “gruda” os pneus no chão) de “arrancar  sapato”, tirava a frente do carro do chão como se fosse uma moto e baixava o tempo de pista em quase 1 segundo, sem nenhum melhoramento no carro.  Tenho também resultados expressivos no maior evento de arrancada do Brasil, que é o Festival Brasileiro de Arrancada, que acontece todo ano, em dezembro, em Curitiba e onde andam o maiores nomes do esporte brasileiro.

Nesses eventos, um 4º um 3º e um 2º lugares foram minhas melhores colocações na extinta categoria Hot Rod.

Faltou um título de campeão em minha breve carreira de piloto de arrancada, que não veio em Curitiba em 2010 por uma diferença de 0,003., para o primeiro colocado.

Fiz essa introdução, por que sei como o mineiro e o brasileiro adoram automobilismo.

Mas alguma coisa está acontecendo por aqui. Na arrancada, onde passeio com tranqüilidade, conheço os macetes e os grandes pilotos, uma mudança já é sentida a algum tempo.

Os carros considerados Top no Brasil sumiram das pistas. É verdade que algumas novidades apareceram, como o belo Camaro Supercharger de Roderjan Busato, de Curitiba e o Chevelle  bi turbo diabólico  de Hiroshi Abe, dois carros de ponta.

Mas eu pergunto: E o resto? Onde está o Dragster do Alejandro Sanches? Onde está o Opala mais forte do Brasil, do meu amigo Scort? O Funny Car do DeBarba?

A S-10 do Alexandre Kayaian? O Camaro bi-turbo de seu irmão, Adriano?

Um dos mais fortes competidores na arrancada Brasileira foi fazer bonito nos EUA.

Essa eu sei, pois  Sidney Frigo, o Grandão,  foi andar onde teria realmente uma forte concorrência.

Por que essa debandada? A arrancada é o esporte a motor que tem maior número de participantes no Brasil, dentre todas as categorias do automobilismo por aqui.

Aqui em Minas, vejo várias dificuldades para que as coisas aconteçam. Depois de4 anos sem provas, em 2012 o campeonato mineiro voltou. Mas será que o formato agradou?

Falta de divulgação, falta de patrocínio e até de boa vontade, sem entrar em detalhes, estão fazendo com que esse esporte lentamente, vá acabando por aqui.

Temos uma pista, particular, que tinha tudo para ser ótima, mas não é.  Na arrancada, a pista tem ser ótima. Boa não serve.

Não me perguntem por que ela não é ótima.

60 pés de concreto, cronometragem precisa, área de desaceleração, tudo tem que ser ótimo.

Não estou criticando a iniciativa privada, que tem sim, que fazer dinheiro.

Mas fico pensando por que um estado que já revelou pilotos do calibre de Cristiano Da Matta, Rafa Matos e Bruno Junqueira ainda não tem um autódromo oficial, com uma reta de verdade e um circuito que possa receber as grandes provas, tanto nacionais, quanto internacionais.

A algum tempo atrás, foi anunciado com grande alarde que o autódromo mineiro sairia.

Fizeram projetos, mostraram para a imprensa, mas o que saiu mesmo foi o hoje centro administrativo,  construído no local onde seria feito o autódromo.

No Rio de Janeiro, cometeram o crime de se acabar com um dos mais históricos autódromos nacionais, que foi Jacarepaguá., palco de inúmeras brigas lendárias de grandes pilotos da Formula 1.

Outro dia, vi uma entrevista com o mestre Nelson Piquet, em minha opinião, um dos melhores pilotos que o Brasil já teve na Formula 1 (que me perdoem as viúvas do Senna…), dizendo que o automobilismo brasileiro virou uma bagunça. E eu me pergunto, por quê?

Temos bons pilotos, mas os de ponta nunca ficam aqui. Temos campeonatos. Mas os que “bombam” são somente aqueles de grande visibilidade, onde os endinheirados mandam mais do queos competentes. Tirando a Stock Car, que ainda tem pilotos profissionais, é muito difícil achar um piloto que não seja “dono” da equipe ou que não tenha colocado dinheiro pra correr.

Eu sei que essa formula de piloto colocando dinheiro existe a muito tempo. Mas me mostre apenas um piloto que pagou pra correr e despontou.

Temos categorias? Diversidade? Por incrível que pareça, sim. Diversidade demais até,  para os nossos padrões.

Hoje o automobilismo Brasileiro é dividido em cinco modalidades:

Asfalto, terra, kart, rally e arrancada.

No asfalto, várias subdivisões.

Brasileiro de Endurance, de Marcas, de Turismo, Copa Fiat,

festival de marcas e turismo 1600, Formula 3 Brasil Open,  Formula 3 Sul Americana, Formula Truck, Grand Turismo, Interestaduais, Mecedez Benz Grand Challenge, Porsche GT 3 Cup Challenge Brasil e por fim a Stock Car.

Na terra, apenas o Brasileiro de velocidade na terra e os interestaduais.

No Kart, a coisa incha de novo e temos os campeonatos Brasileiro, Copa Brasil, Copa das Federações, as copas Nordeste e Sudeste, o desafio da s estrelas o Sul Brasileiro e os campeonatos interestaduais.

No Rally, muito mais. Temos o Brasileiro de Rally Cross Country, Regularidade 4×4, velocidade,brasileiro fora de estradas e indoor4x4 e 4×2, copa Brasil de regularidade, copa Troller nordeste, Troller sudeste,  Mitsubishi Cup,  Mitsubishi Motorsport, Sudeste e Nordeste,  Sertões Series (bacana o nome) e Suzuki Adventure.

Finalmente, na arrancada, temos o campeonato Brasileiro, a Copa Brasil e os campeonatos interestaduais.

Aí vc vem me perguntar o porquê do título “o que está acontecendo com o automobilismo no Brasil”.

Simples. Tirando as categorias “jabá”, onde existem interesses dos que patrocinam, quem aqui já teve noticia de alguns desses campeonatos?

Direi sem medo de errar, que poucos poderão responder sim e desses que responderam sim, talvez 90% seja do meio.

Como é possível termos tantas modalidades e nenhuma divulgação?

Vamos ver o que acontece, pois nosso país tem um povo que ama automobilismo, tem automobilismo, mas poucos dão noticia do que acontece.

Enquanto isso, pilotos vão “ralando” para se manter em sua paixão e uma meia dúzia de gatos pingados vão fazendo seu “pé de meia” num esporte que antes era movido pela paixão e hoje é pelo dinheiro. Tem que fazer grana? Tem. Mas tem que haver mais incentivo para que o esporte, principalmente o amador, que é o caso da maioria deles e da arrancada que tem o maior número de participantes, tenha o apoio que necessita para poder crescer.

Falta incentivo, faltam locais, falta tudo, menos pilotos interessados em correr.

 

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