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Artista Ramiro Cerqueira

Artista Ramiro Cerqueira

Artista Ramiro Cerqueira

Artista Ramiro Cerqueira 1

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Fiat lux! A expressão que remete à passagem bíblica da criação divina da luz – Faça-se luz! – bem serve ao olhar do artista plástico Ramiro Cerqueira sobre o mundo: a beleza está onde está a luz.

Seja natural – do sol ou do fogo – vinda da luz que conseguimos jogar sobre as questões de nossa própria existência lidando com nossos desejos, com aquele que chamamos de outro e até mesmo com memórias, que lançam luzes sobre a infância a partir da qual nos tornamos quem somos.

Nascido em Pedra do Indaiá (MG), Ramiro Cerqueira começou a pintar aos 18 anos. Sua temática já estava voltada para emoções como dor e sofrimento e as soluções que cada um encontra para seus dilemas.

A princípio o cinza predominava nas telas, mas à medida que a pintura do artista evoluiu, as cores ganharam destaque, em especial os tons quentes como amarelo e terrosos. Em paralelo à pintura, Ramiro desenvolveu a carreira de cabeleireiro com sucesso e desde 2006 dedicou-se exclusivamente à sua empresa, o estúdio Office Hair Ramiro Cerqueira.

Em 2012 retomou as artes plásticas, aperfeiçoando as técnicas de pintura em óleo sobre tela e esculturas em bronze. “Não me prendo a um estilo só. Sempre que tenho a possibilidade, gosto de criar algo diferente, para me sentir à vontade dentro do que faço”, afirma o artista que passeia pelo abstrato, surreal e romântico.

Tendo a luz como linha desta costura poética. “A arte traduz e questiona ao mesmo tempo que pode fugir da realidade. No entanto, sempre haverá uma base real para o inicio de uma criação”, reflete Ramiro.

Na série Erótica – óleo sobre tela – em Suruba, algumas formas estão emaranhadas, o traço é simples, sem apelo para o estético, propriamente. “A temática reflete as possibilidades que as pessoas têm de se aproximar ou não umas das outras. O contato depende de escolhas para que haja conexão. Em todo relacionamento há algum tipo de interesse”, pontua Ramiro.

Mas a luminosidade nem sempre vem do encontro, do que é bom ou alegre. Nem sempre é radiante; pode produzir o embaçamento, a devastação. A exemplo do fogo que destrói cerrados e pastos. “Mas no trágico e em momentos difíceis também há beleza”, considera o artista. Nesta sequência, denominada Luzes, ele trabalhou predominantemente os tons terrosos, o vermelho.

As formas estendidas misturam o concreto e o abstrato. O céu e o solo se confundem pelos tons. “Misturo técnicas e cores, criando cores possíveis, discretas e ao mesmo tempo, vivas. Me envolvo com movimentos longos e curtos na vertical”, conta o artista.

A iluminação natural, do dia ou da noite, surge na série Escadas. Nela, os degraus nem sempre estão ligados à parede ou conduzem a algum lugar. Muito menos têm a obrigação da proporcionalidade. Para Ramiro, o imperfeito também vale à pena, “pois deixa espaço para a imaginação das pessoas.”

À primeira vista a referência parece vir do artista gráfico holandês Escher. Segundo Ramiro, há uma admiração por Escher e Salvador Dali, mas ausência de preocupação com influências. “Claro, são todas bem vindas e há uma multiplicidade de observações e gosto variado por artistas diferentes.”

As luzes da memória estão presentes nas telas em que Ramiro pintou elementos caros à sua infância: as crianças brincando soltas, chegam a voar e levam o observador a pensar que, ao fundo daquele cenário, toca uma música; quase uma festa junina.

O quarto de costura de sua mãe, ambiente de beleza simples, em contraste silencioso com a brincadeira das crianças. “Estas, são pinturas que faço quase para mim mesmo. Falo do lugar onde nasci, do meu jeito”, revela Ramiro Cerqueira.

Multifacetado, Ramiro expõe a beleza do mundo por meio de sua ótica, dando vida e movimento a seus personagens esculpidos em bronze, que também lançam luzes sobre as facetas dos relacionamentos humanos em que a manipulação, o abandono mas também a força e a mudança estão presentes.

Atualmente, Ramiro divide o tempo entre o salão que leva seu nome e as telas e esculturas, quepodem ser vistas em galerias de São Paulo e Brasília. “Não trabalho com a arte para me satisfazer; me mostro ao mundo. Acredito que a premissa maior seja apenas expressar. A arte não serve somente ao artista ou à quem a compra. A arte questiona, sugere, afirma, reafirma.”

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