Débora Blanda

AMO VIAJAR

AMO VIAJAR

Por Debora Blanda

Porque eu sou fascinada por viajar.

Hoje eu assisti um vídeo que dizia que “viajar não traz felicidade”, alguma coisa sobre deixar o mochilão de lado. Não que eu ache que viajar traz felicidade, mas eu certamente não estou pensando em deixar o mochilão de lado. O que eu entendi ser o objetivo do vídeo era lembrar as pessoas de que não é o fim do mundo não viajar e que o fato de você estar em outro lugar não vai resolver seus problemas. Aquilo que precisa ser resolvido vai te seguir onde você estiver, ou na melhor das hipóteses estará te esperando quando você voltar. O vídeo também falava da questão das mídias e em como todos aqueles posts incríveis que a gente curte no Instagram nos influenciam, nos fazem querer ir e tantas vezes criam uma falsa necessidade de viajar.

E eu concordo com tudo isso, mas tudo isso não explica o porque eu amo viajar, o porque de eu querer tanto ir e conhecer tudo que der. Não é para ter fotos legais no Instagram. Não tenho menor interesse de mentir: eu curto muito cada curtida que as fotos ganham, eu tenho sim prazer em postar uma foto bonita num lugar legal, eu fico decepcionada quando uma foto fica com menos likes que a outra e essa coisa toda. Mas não é a foto legal que vai bombar no face o que importa, o que importa é aquele lugar incrível que eu tive a oportunidade de experimentar. É bem melhor quando eu nem lembro de tirar as fotos ou quando aparecer na foto é desnecessário, quase errado.

Eu não viajo para fugir dos meus problemas. Na verdade eu reconheço que eu tenho uma vida muito boa, eu tenho meus problemas como cada um tem o seu: são os trabalhos da faculdade que eu não estou muito afim de fazer, as metas que eu coloco e não alcanço (ler mais, não deixar o quarto bagunçado, ir a academia…). Tem dias que o “grande” problema é não ter alguém. E tem sempre essa coisa de eu pensar de mais em tudo, exagerar de mais qualquer coisa o que –basicamente- me faz sofrer atoa. A parte boa é que agora que eu reconheço esse exagero dispensável então fica um pouco menos difícil dispensá-lo.

Mas eu amo a minha cidade, eu amo minha família, eu amo meus amigos, eu amo meu curso, eu amo minha igreja. As coisas aqui são boas; eu até melhoraria alguma coisinha em todas elas, mas eu tenho tudo que eu preciso. Eu não viajo para fugir, eu não viajo para tentar ser outra pessoa.

Eu viajo para ser mais eu. Viajando eu tenho a oportunidade de apreciar a beleza ao meu redor, do jeito que eu faço quando vejo o pôr do sol da passarela na Contorno, eu acabo tendo relacionamentos efêmeros e gentis com alguém que passa alguma informação ou pergunta de onde eu sou, eu exercito (exageradamente) a liberdade que eu tenho. É uma chance de sair da rotina, de ir um pouco mais longe, de se perder, de aproveitar mais as coisas mais banais. E é uma delícia poder fazer isso pela primeira vez, descobrir um grafite, uma ave, um caminho.

Acontece que eu não preciso ir longe para ter tudo isso, eu tenho isso no caminho entre minha casa e a Escola, eu tenho isso nas ruas pelas quais eu ainda não passei aqui em BH. Tenho isso viajando por aqui no caminho pra Nova Lima, nas trilhas e cachoeiras aqui pertinho, nas cidades históricas, na roça, aqui em Minas. A minha necessidade de viajar não está ligada a não estar em BH, está em conhecer as outras BHs, são tantas ruas, são tantas paisagens, são tantos prédios nessa Terra que me parece errado nem tentar ir ver todas que eu puder.

Cada lugar transmite uma sensação, e mais que cartões postais eu quero colecionar essas sensações. Tem tanta beleza em todo lugar que eu quero conhecer as que eu ainda não conheci, sem deixar de apreciar as que eu tenho por aqui, ao alcance da janela. Para mim não é uma questão de mais ou menos felicidade, para mim é o único jeito de viver. Não quer dizer que eu estou com as malas prontas, quer dizer que pra mim viajar é importante e que vou sim encher cofrinhos pra próxima viagem e depois mais cofrinhos para outras que vierem.

Tudo bem eu viajar nos caminhos conhecidos de BH por agora, porque eu sei que em breve vai ser uma nova cidade, um novo caminho e eu vou ter aquele prazer único de estar na estrada, a expectativa, a vontade e depois o viver mais um pedacinho do sonho. Eu sonho com lugares, eu estou me graduando em lugares; lugares me movem. Então eu não vou me desfazer dos planos de mochilão e eu vou sim ser feliz viajando.

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