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Alienação

Alienação

Alienação

Por Lucas Machado

Ilustração: Agatha Araújo

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Ser jovem atualmente é um grande negócio. Virou moda, é in, é bacana. Jovem Guarda, teatro jovem, cinema novo. Música jovem, refrigerante da juventude e mil e um rótulos que dão para guardar na cuca. Numa sociedade de consumo é até covardia, tudo trabalha a favor, nunca nenhum produto foi tão vendido, promovido e badalado como o jovem.’’ Junho de 1970.

Que Nelson Motta é um ícone brasileiro, acredito que todos nós sabemos, mas a capacidade que ele tem de enxergar sempre à frente, descobri em uma das minhas incansáveis pesquisas em revistas e artigos antigos.

Foi aí que descobri algo pouco divulgado: Que aconteceram várias Conferências Nacionais de Juventude com o tema “Levante sua bandeira”. Entre etapas municipais e estaduais, por meio de debates livres, que se iniciaram em 2007, a proposta é evidenciar os desafios da juventude brasileira e suas respectivas políticas públicas, agindo como um canal de comunicação entre o governo e a sociedade em geral.

Em maio de 1968, a França encabeçou uma das maiores revoluções da juventude. O evento revolucionário mais importante do século 20 não  aconteceu com uma camada restrita da população,  como trabalhadores e minorias, pelo contrário, superou barreiras étnicas, culturais, etárias e de classes. Consolidou a ideia de que o ser humano tem direitos civis, políticos e sociais. Dias de sonhos revolucionários que elegeram a rua como símbolo e cantaram slogans literários como: ‘É proibido proibir’ e ‘Seja realista, exija o impossível’, um esculacho total, numa mistura de radicalismo e irreverência.

O que mais preocupa é que, desde maio de 1968 quase não vimos mais ações da juventude em manifestações com a mesma veemência nem com o mesmo poder político. Hoje, os jovens estão mais preocupados com os direitos individuais do que interessados em se informar e lutar pelos direitos coletivos. Vemos muitos que se dizem engajados sim. Eu já sentei em  restaurantes, várias vezes, por exemplo, e vi pessoas discutindo sobre filmes de arte e ouvindo bandinhas cabeça, enquanto os pedintes do lado de fora assistem a tudo, sedentos, como se aquele povo estivesse numa vitrine. Aliás, metáfora perfeita essa da vitrine porque, realmente, nas últimas décadas, não faltaram revoluções estéticas. Mas o que me intriga é: quantas vezes você mesmo já parou para descobrir quais são as políticas públicas voltadas para os jovens? Você sabia que estavam tramitadas na Câmara dos Deputados, para votação, duas leis específicas sobre a juventude? O Plano Nacional da Juventude e o Estatuto da Juventude, que tratam de direitos e deveres dos jovens,entre 15 e 29 anos.

Segundo pesquisa realizada pelo Instituto de Cidadania, 69% dos jovens acham que a política influencia a vida deles, mas apenas 43% consideram ter algum engajamento político. Galera, chega de alienação eleitoral, saiba no mínimo de onde vem seu candidato e onde ele quer chegar ou, pelo menos, vote nulo. Se não fizermos isso, continuaremos alimentando o pensamento da maioria dos nossos políticos: “Eu finjo que estou trabalhando e você finge que está me pagando”.

É isso aí, irmão, abre o jornal, tira a TV do Big Brother e se liga na realidade. Está insatisfeito? Vamos lá, grite com voz de quem sabe o que faz e está realmente disposto a fazer algo pra mudar a situação. Ou então pegue seu charuto cubano, encha a lata de McDonald’s e saia por aí tirando onda de Che Guevara.

Destrinchando – Guerreiro do Asfalto

Lucas Machado

Lucas Machado

Escritor, profissional de Marketing e Comunicação.

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