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Alfaiate Bárbara Santiago

Alfaiate Bárbara Santiago

Destrinchando

Por Lucas Machado

Foto: Rafael Ram e Weber Padua

A Alfaiate mineira, Barbara Santiago. Nasceu em Belo Horizonte, além de vários cursos técnicos é formada em artes Visuais pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

“Não fui uma menina criada com smartfhones, fui ter o meu primeiro Iphone com 22 anos. Cresci brincando na terra, lama e com bichos. As mulheres da minha família, quase todas já costuravam. E uma filha única, de família pobre, passa uns apertos financeiros e sociais. Meus pais sempre trabalharam muito.

Fui obrigada a criar meu universo que acabou sendo um pouco lúdico, ficava muito sozinha em casa, com oito, nove anos, já fazia minha comida, meu arroz e feijão. Eu tinha que ocupar minha cabeça, que era a forma de eu me relacionar com o mundo. Minha Infância e adolescência foi marcada por brincadeiras que iriam me levar a uma carreira profissional”. Comenta.

Barbara ganhou sua primeira máquina cor-de-rosa com cinco anos, que mesmo de brinquedo já costurava. A partir daí todos os seus presentes eram máquinas de costura e tear. Aos nove anos começou a fazer diversos cursos de costura. Já com dez anos, colocou na cabeça eu não quero ser médica ou advogada, que geralmente são os que os pais querem dos filhos, segundo suas palavras, foi ali que decidiu: vou ser alfaiate.

Santiago, tem uma história muito interessante e um talento de se impressionar, por isso foi convidada pelo apresentador Jô Soares, para uma entrevista e foi alvo também da Revista masculina GQ Magazine, para contar um pouco sobre sua história.

O Destrinchando também foi conferir o que uma menina mineira super jovem, de Belo Horizonte, que tem um talento incrível, enveredou-se em uma profissão que muitos dizem estar acabando, será?.

Vamos a nossa entrevista, afinal temos muito o que saber e por que não o que aprender. Como dizia Guimarães Rosa, um dos seus autores preferidos da nossa entrevistada: “A vida é assim, tem hora que ela esquenta, tem hora que ela esfria, tem hora que aperta e que afroxa, mas o que ela quer da gente é coragem”. Boa leitura.

O que representa a música para você?

Amo música, ela nos salva de diversos problemas. Qualquer coisa que você goste que vai virar trabalho, vai ter uma obrigação, tipo: Disciplina, horário outras coisas. A música foi sempre alvo de grandes descobertas na minha vida. Fui ginasta, bailarina clássica, sempre me identifiquei com gêneros virtuosos, vamos dizer assim. Desde o clássico, passando pelo erudito a ópera, até o gênero vamos dizer assim o mais extravagante que é o Havy Metal o Rock Clássico, gosto também de samba de raiz, tipo: Cartola e Bezerra da Silva.

O que toca hoje no seu paly-list?

Eu estou na fase do Rap, eu gosto muito do Rap Nacional: Primeira banda que comecei a ouvir foi Racionai’s, não tem como fugir desta lógica. Minha vida é cheia de dicotomias entre o bem e o mal.

O Rap carioca, tem essa coisa, mesmo com letras muito machistas, mais eu to viciada em Cone Crew, Cacife Clandestino, Camarada camarão. As vezes eu fico meio chateada, chamou a Mina de vagabunda, na letra. Como assim?

Definição de feminista?

Aquela mulher que quer igualdade, ela quer ter os mesmos direitos, ela quer ser reconhecida pelos mesmos perante a sociedade, ela quer igualdade política, social e financeira.

Ao dizer que músicas de rap são muito machistas, o que é machismo para você?

Eu acho que é você olhar a mulher como um objeto, julgar com o olhar e sentimento de superioridade.

O destrinchando entre comportamento e estilo de vida, ele fala para o universo do homem ou melhor de atributos voltados ao que o homem gosta, inclusive saber coisas que a mulher pensa. O que você teria para falar para nosso público?

Já to falando. Rs – O Universo masculino é maravilhoso, meus melhores amigos são 90% homens. Eu tenho críticas ferrenhas aos homens, mais sou apaixonada pelo universo de vocês.

Por que o curso de artes plásticas ou artes visuais?

Eu queria fazer um curso superior de moda, porém tinha vários cursos técnicos e sentia uma carência de um curso mais completo, até pelo conhecimento acadêmico, que na minha época alguns não eram nem reconhecidos pelo MEC. Eu não queria cair na mesmice, queria um curso soco-na-cara.

Foi um a escolha bem pensada e admito que entrei no curso desconfiada. Eu vou fazer o curso e ver o que posso utilizar dele no mundo da moda. Eu me entreguei para artes plásticas, foi maravilhoso.

A academia me trouxe uma novidade na questão social, pois eu fui uma adolescente sozinha senti um bulling fudido na escola. A faculdade foi uma época de Ouro.

Alfaiate uma mulher que faz a opção por essa profissão, quais os fatores que você ponderou como positivos e negativos, na hora da tomada de sua decisão?

No lado negativo: Pai e mão não criam filhos para ser alfaiate, e sim para ser engenheiro, advogado. Minha família tinha a expectativa que eu tomasse uma decisão sobre uma profissão vamos dizer, mais corriqueira e normal, na vida em geral e principalmente na vida acadêmica as pessoas acreditam que todos tem que seguir o caminho do mesmo, do igual. Eu enfrentei muita barreiras. Outro ponto é que ninguém vê um alfaiate principalmente mulher, como uma pessoa que vai ganhar muito dinheiro por ser uma das profissões mais mal remuneradas ao meu ver.

A costura em geral. Eu pensei vou dar minha cara a tapa mais vou transformar isso em uma forma de sobrevivência. Ao mesmo tempo, medo de abraçar a profissão pois é um mercado que precisa de mudanças. Eu estou nessa busca de trazer a alfaiataria para o mundo e de evocar transformações.

Qual o seu público-alvo?

Eu faço pouquíssimas roupas para noivos, que use ternos. A maioria são executivos de médio a alto porte, em ascensão. Empresários, advogados desembargadores, juízes, superintendentes. A grande maioria do Rio, SP, agora com o mídia de Fortaleza e do Nordeste em geral.

Qual é primeiro impacto quando o cliente te vê pela primeira vez?

Na real. As pessoas já sabem que a Santiago Alfaiataria tem uma diretora criativa. No começo assustava bastante. No início perdi alguns clientes pois ao me verem eles perguntavam, mais aqui você tem 20 e poucos anos e não faziam a roupa. Mas com a mídia e pouco a pouco isso caiu por terra.

Você foi convidada por um dos maiores e mais antigos apresentadores de televisão a participara do seu programa, e por uma grande Revista Masculina. Quais são os atributos que você acredita que chamam a atenção em você?

Acho que estamos saturados das mesmas coisas das mesmas notícias, o que essa menina tem na cabeça eu acho que foi nesse sentido de curiosidade.

Se você pudesse escolher uma vista permanente na sua janela o que você gostaria de ver?

As montanhas de Minas. Eu amo Minas Gerais.

O que mais te inspira?

Andar na rua

Qualidades de um homem?

Honestidade e coragem.

Vivendo a questão de muitas coisas acontecendo com a mulher, estupro coletivos e tals.. Isso tem seu porquês. Você acredita que isso são frutos da chamada Revolução feminina?

Esse tipo de assédio de violência psicológica, emocional, física, parte muito mais de uma forma do homem de se impor de um dominação com uma mulher do que questões biológicas ou de desejo sexual ou de sem-vergonhice. A questão é como os homens estão se portando, diante deste amplo avanço da mulher, chega a ser uma questão de supremacia. É misógino isso, é um ódio, é uma necessidade de suprir um desejo de superioridade.

Qual cor que mais gosta?

Verde para vida. Azul para arte.

Livro?

Grandes Esperanças – Autor: Charles John Huffman Dickens e Grandes Sertões Veredas – Guimarães Rosa.

Você está agora se desvencilhando do seu mestre, partindo para uma verdadeira carreira solo, dentro da Alfaiataria: Com a sua própria empresa Santiago Alfaiataria o que seus clientes e novos consumidores podem esperar?

Podem esperar um espaço, não que eu vou deixar de fazer ternos para mulheres, totalmente voltado para o masculino, resgatar o hábito do alfaiate e ver também acessórios linha pronta entrega, feita totalmente a mão.

Grandes Alfaiates?

Meu mestre Antônio Jesus Malveira, que me acolheu e acreditou no meu trabalho, eu conheço vários Alfaiates, mas não são os que eu falaria que admiro, eu gosto muito de alguns Ingleses, aqui no Brasil o Hermano que já faleceu.

Uma definição da Bárbara?

“Não se deixe enganar por esse rostinho bonitinho . Rs. Tem gente que assusta por que eu sou muito brava, sempre fui muito séria e responsável.”

Sobre o ser humano e humanidade o que esta faltando?

Amor ao próximo. Muita gente fala.” Eu amo mais bicho do que gente”. Não devemos deixar de amar os animais. Mais o homem ainda precisa de muito amor. São Francisco era assim. pregava o amor dos homens e dos bichos.

Entrevista com Jô Soares:

http://gshow.globo.com/tv/noticia/2016/05/barbara-santiago-comenta-como-e-trabalhar-com-alfaiataria-foi-amor-primeira-vista.html

Entrevista GQ Magazine:

http://gq.globo.com/Estilo/Moda-masculina/noticia/2016/02/barbara-santiago-alfaiate-mineira-que-voce-precisa-conhecer.html

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Leia mais:

Entrevista Tico-Santa-Cruz

 

 

Lucas Machado

Lucas Machado

Escritor, profissional de Marketing e Comunicação.

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