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Ainda sobre o ideal de amor

Ainda sobre o ideal de amor

Ainda sobre o ideal de amor

Por Amanda Ferr

Não. Antes de tudo preciso dizer que não mudei de opinião. Pelo menos não por enquanto. E mesmo que eu ache um tanto improvável que isso ocorra, devo confessar que há momentos em que desejo intimamente que algo ou alguém derrube todas as minhas resistências sobre o amor, ou a falta dele.

Que quebre meus dogmas, tabus, que me tire do eixo, enfim, que me prove o contrário definitivamente. Mas o fato é que até então, isso não aconteceu; o que me causa duas sensações. Uma que me indica (a contra gosto, acreditem) que estou certa. Solitariamente certa.

E a outra, de que eu preferiria estar errada à fadada a esse universo de descrença. Não pensem vocês que é confortável para uma moça de 32 anos, chegar a tais conclusões, quando na verdade deveria estar no ápice de meus sonhos românticos.

Por vezes chego até a admirar aquelas, que não sei se por ingenuidade ou se por um admirável ato de coragem, quase heroísmo, se entregam sem maiores delongas à ilusão do amor ideal.

E consequentemente a todos os demais passos restantes, que conduzem ao “bendito” (ouserá maldito?) “até que a morte os separe”! E vale ressaltar aqui, que a morte a que me refiro, na maioria das vezes, em nada está relacionada ao falecimento de um dos cônjuges, mas de parte vital na vida de ambos… o desejo, quarto escuro de nossas emoções.

Mas se por um lado, admiro tais mocinhas casadoiras, por outro sou invejada por uma legião de jovens senhoras, que não se cansam de repetir incessantemente, que se tivessem minha idade, associada à maturidade que lhe são próprias de hoje, não alimentariam mais tais ilusões.

Portanto, por via das dúvidas, permaneço assim… Cética? Não. Apenas “um tanto” realista demais, para crer no primeiro que me ofereça flores e me faça promessas de amor.

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