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Aglomerado da Serra

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ABRIU O BAR NO AGLOMERADO, PARA ANIMAR A FESTA

Por Paulo Solmucci

Um dos mais importantes acontecimentos da presente década, no setor belo-horizontino de bares e restaurantes, ocorreu em janeiro de 2014. Foi quando se inaugurou o Zé Pretinho Bar e Restaurante, na comunidade de Vila Nossa Senhora da Conceição, no Aglomerado da Serra.

Para chegar lá é muito fácil. É só ir até o final da Rua Herval. Ali há uma subida de cem metros, que pode ser vencida a pé, pela escada, ou de carro, por uma rampa asfaltada. Zé Pretinho é o apelido de infância de José Carlos Cardoso. Em 1979, ele começou a trabalhar como ajudante de cozinha quando tinha 15 anos. Logo depois, virou garçom.

Serviu às clientelas de muitos bares, como o Almanaque, o Estabelecimento e o Panorama. Tornou-se um personagem muito conhecido e admirado pelos frequentadores dos bares da Zona Sul.

Quando isso acontece é porque o sujeito gosta do que faz. O que resultou de tanto afeto e dedicação ao ambiente dos bares e restaurantes foi este: há dois anos e meio, ele abriu o seu próprio negócio.

A ousada e admirável iniciativa de Zé Pretinho tornou-se notícia nos jornais e na televisão. As classes B e A formam a maioria dos habitués do bar. Homens e mulheres de variadas profissões lá comparecem, sobretudo nos sábados e domingos, a partir do meio-dia.

Nas noites do meio de semana, o movimento é bem moderado. O que vale destacar, mesmo, é a competência do Zé Pretinho na montagem de um cardápio verdadeiramente de boteco, e, ainda, a qualidade do atendimento.

Há cervejas, caipis, vinhos e espumantes. Por isso, os clientes vão uma vez e voltam sempre. Mas a vida de um dono de bar não é nada fácil. É muito difícil tirar um lucrinho qualquer. A mais corriqueira das impressões é a de que bar cheio equivale a êxito no negócio.

O movimento só de sábado e domingo não sustenta um bar ou restaurante que funciona seis dias por semana. A implacável roda dos custos gira, incessantemente, o tempo todo.

Há outro aspecto que quero abordar. Diz respeito ao bar do Zé Pretinho, visto em seu aspecto urbanístico. O maior sucesso da consagrada gestão da cidade de Medelín, na Colômbia, é que se instalaram equipamentos e se criaram atrativos nas favelas.

Passaram a funcionar linhas regulares dos funiculares, os bondes puxados por cabos, que sobem o morro. Abriram-se espaços culturais para as bibliotecas, o teatro, a dança, a música. A cidade formal passou a visita-los. Criou-se uma convivência que antes nunca acontecera.

Zé Pretinho deu o pontapé inicial desse processo. Basta continuá-lo. É preciso que se entenda a imensa relevância da sua iniciativa. E olha que o bar é bom demais. Uniu-se, assim, o extremamente relevante ao muitíssimo agradável.

Se você já está se levantando da cadeira para aplaudir o Zé Pretinho, não faça isso. Vá lá. Leve seus familiares e amigos. O maior apoio que se pode dar a uma iniciativa tão extraordinária, é subir a Rua Herval, escalar a pequena rampa, sentar-se à mesa, abrir o cardápio, fazer o pedido.

E você ganha um bônus maravilhoso: a vista de Belo Horizonte, a seus pés.

Lucas Machado

Lucas Machado

Escritor, profissional de Marketing e Comunicação.

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