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A pirâmide

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A pirâmide

Por Vinicius Mendes Lima – Porto Alegre

A pirâmide, a crise e o indiano

Nos últimos meses, fomos afetados por uma intensa crise econômica – que bem sabemos, originou-se na Europa, que a soprou até aqui -, responsável por bagunçar a vida de milhares de pessoas e de mudar a forma de fazer negócios e obter renda. Isso, porque a crise foi também responsável por escancarar que o modelo tradicional econômico não se adapta mais aos nossos dias.

E se a solução deste período nefasto econômico estiver bem próxima de nós? Logo ali, no morro. Visto que santo de casa não faz milagre, embasarei o que exponho aqui, que não é inédito, somente pouco difundido, em um indiano chamado C.K Prahalad.

Este especialista em estratégia empresarial e professor da Universidade de Michigan, EUA, acredita no “empreendedorismo na base de pirâmide”, uma linha de pensamento que vê o lucro através da inclusão das camadas de baixa renda ao mercado consumidor, deixando de enxergá-las apenas como um recorte em situação de vulnerabilidade e com baixo poder aquisitivo.

Uma das estratégias que nosso indiano Prahalad difunde pelo mundo e vem ganhando espaço em grandes empresas é a de que o mercado precisa desenvolver produtos e serviços que estejam ao alcance dessas pessoas e empregar esta população para assim gerar crescimento da economia, aumento da renda
mensal desta camada da pirâmide e enfim uma mobilização social.

Levando em conta que aqui, nos nossos rincões, somos mais de 20 milhões em extrema pobreza e que grande parte deste número se deve ao fato de que somos 12 milhões de desempregados, não precisa vir da Índia pra perceber que o modelo de empreendedorismo deste momento é aquele que reaqueça a economia movimentando o setor de pessoas de classes pobres, que estão nas favelas nos grandes centros urbanos.

Estes, ganham dinheiro, mesmo que pouco, e muitas vezes não o gastam por não possuir a quantia necessária para determinados produtos, mas ao criar e desenvolver produtos e serviços que se encaixem com sua realidade socioeconômica, a economia se aquece, gera uma melhor circulação de renda e novos postos de trabalhos surgem. Incluindo-as nesta economia local, é possível aumentar a qualidade de vida destas, e empresas, inclusive externas ao mundo das favelas, poderiam lucrar com isso tudo.

Vamos ao melhor: pessoas que vivem na base desta pirâmide também podem começar a empreender e gerar grande impacto na economia. As favelas possuem seus próprios centros comerciais que são adaptados as suas condições e aquecem muito a região, mesmo que de forma um tanto discreta. Aquele mercado de bairro, a pequena loja de roupa, o salão de beleza e o barzinho de esquina são pequenos negócios que aquecem a economia local e fazem com que o dinheiro gire com rapidez nestas regiões.

Com a quantidade de lojas em shoppings que fecham diariamente, o número crescente de empresas falidas no último ano, investir no modelo da base da pirâmide pode e deve ser um caminho para melhorar nossa crise econômica. Não é discurso socialmente responsável, é um alerta de bons negócios!

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