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A Pessoa Errada

A Pessoa Errada

A Pessoa Errada

Por Amanda Ferr

É engraçado…

O tempo passou, valores sociais se modificaram , revoluções aconteceram, a tecnologia e a medicina avançaram, as mulheres ganharam as ruas, e com isso o direito ao voto, aos estudos e a um lugar no mercado de trabalho, o sexo tornou-se corriqueiro e livre de termos de compromisso, o casamento se
modernizou e até os bebês já podem ser artificialmente inseminados e programados para vir ao mundo
de acordo com o “gosto do freguês”, mas ainda assim, por mais que se negue ou se disfarce, a busca continua.

E de que busca estamos falando? Da pessoa certa, o parceiro ideal. Aquela que nos complete e nos faça sossegar os instintos de caça, que nos faça desejar uma casa com um enorme quintal para churrascos ao ar livre nos dias de domingo.

Aquela que nos desperte o desejo de ter filhos e passar os natais em família, com quem planejaremos idas à praia durante as férias escolares, e que dividiremos dores, sucessos e contas. Contas? Dores? Natais em família? Churrascos aos domingos?

Será isso mesmo que desejamos ao buscarmos incessantemente a pessoa certa? E quem seria essa pessoa? Aquela que completa os estudos e tem bons modos à mesa? A que se veste adequadamente, fala baixo e vai à missa aos domingos?

Ou seria ainda aquela aprovada pela família, por jamais se exceder, e parecer sempre sensata. Alguém que faz tudo certo, que chega na hora certa, que fala as coisas certas no momento certo e que “certamente” manterá sempre tudo no lugar.

Mas aí é que tá, a que lugar queremos chegar? O lugar comum, óbvio, centrado e preocupado em sempre agradar? Um lugar que não se move, que não se altera, que não instiga ou propõe mudanças. Um lugar socialmente aceito, mesmo que hipocritamente mantido sob uma faixada de felicidade?

Digo então, que a meu ver, não existe uma pessoa certa. Existe uma pessoa. E por isso mesmo, repleta de defeitos e efeitos. Porque a verdade é que nem sempre precisamos ou desejamos que tudo esteja no lugar.
Pelo contrário. Para sobreviver em meio às frustrações do dia a dia, e poder respirar com prazer em algum momento, precisamos de alguém que nos faça perder a cabeça, a noção do tempo e dos bons costumes.

Que nos faça esquecer os ponteiros girando, o ônibus perdido, as cobranças e as contas em cima da mesa.
Que nos faça cometer loucuras e sermos ao menos uma vez na vida o que verdadeiramente somos. Alguém que nos desperte vontades. Que nos mostre uma nova direção, que nos ofereça diferentes possibilidades, e que nos distraia do nosso próprio mau-humor. Que nos faça cócegas e nos afaste da entediante rotina de ir levando… A pessoa certa, aquela que nos faça de vez em quando, fazer tudo errado e ainda achar muita graça nisso tudo.

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