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70 anos da morte de Serguei Eisenstein

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Cine Humberto Mauro exibe mostra do aclamado cineasta SERGUEI EISENSTEIN. Confira;

Exibições contam com os clássicos O Encouraçado Potemkin (1925) e A Greve (1925).

Ao completar 70 anos da morte de Serguei Eisenstein, o Cine Humberto Mauro exibe a filmografia do cineasta e filmólogo russo que abrange toda a obra disponível do cineasta, sendo oito longas-metragens e quatro curtas, além do filme Que Viva Eisenstein! (2015), obra de Peter Greenaway que retrata
ficcionalmente a temporada de Eisenstein no México.

Um dos mais importantes e controversos nomes da história do cinema mundial, Eisenstein influenciou diretamente diretores como Alfred Hitchcock, Glauber Rocha e Jean-Luc Godard, e, segundo Vítor Miranda, que assina a curadoria da mostra juntamente de Júlio Cruz e Bruno Hilário, da Gerência de Cinema da FCS, o trabalho do diretor consolidou o entendimento do cinema como forma de arte no começo do século XX. “Para Eisenstein, o filme não é feito durante a filmagem, mas sim na mesa de montagem, produzindo não só uma narrativa, mas conhecimento e política.

Esse pensamento é muito contrário do fazer cinematográfico dos Estados Unidos e reflete como o cinema acompanhou a divisão ideológica no planeta entre capitalismo e socialismo”, comenta.

O grande diferencial do cinema de Eisenstein é que o diretor não só produzia cinema como também escrevia sobre o assunto como filmólogo, contribuindo para o estudo cinematográfico e traduzindo, em seus filmes, uma linguagem da literatura e da oralidade. O trabalho com a montagem desenvolvido por

Eisenstein parte de uma pesquisa desenvolvida pelo cineasta na área da semiótica e ideogramas japoneses, em que dois ideogramas de significados diferentes, juntos, formam um novo elemento. “Dois planos diferentes, em sequência, constroem novas ideias que não existiriam separadamente.

Essa é a montagem intelectual de Eisenstein usada para ironizar a burguesia, intercalando imagens de violência contra os operários com a de uma laranja sendo espremida, por exemplo”, completa Vítor.

Programação – Destacam-se, na mostra, os longas A Greve (1924) e O Encouraçado Potemkin (1925), remontagens históricas que demonstram sua visão política, sua técnica com a montagem intelectual e o caráter coletivista do cinema de Eisenstein.

No seu primeiro longa-metragem, A Greve (1924), um operário da Rússia pré-revolução comete suicídio depois de ser acusado injustamente de roubo, o estopim para uma greve que culmina em repressão
violenta pelos militares. Tida como uma das obras mais importantes do cinema, juntamente de Cidadão Kane (1941),

O Encouraçado Potemkin (1925) baseia-se na rebelião de um navio de guerra russo em 1905. No longa, os marujos se rebelam e levantam a bandeira vermelha após carne estragada ser servida a eles no jantar, esforçando-se para levar a revolução até sua terra natal.

No filme Outubro (1928), Eisenstein celebra os dez anos da Revolução Russa em tom de documentário, incluindo representações de pessoas nas ruas que, assim como ele próprio, participaram dos atos de resistência. Já em O Velho e O Novo (1929), o diretor se desdobra sobre uma das primeiras lideranças revolucionárias femininas, a camponesa Marta.

O longa Alexandre Nevsky (1938) reconstrói a Rússia do século XIII após a invasão pelos cavaleiros teutônicos e tártaros, enquanto o deprimido e instável príncipe Alexander Yaroslavich Nevsky precisa levantar seu povo contra os invasores. Ivã, O Terrível – parte 1 (1944) e Ivã, O Terrível – parte 2 (1958) retratam as estratégias de manipulação da Rússia pelo czar Ivan IV, anteriormente arquiduque de Moscou no século XVI. Em Que Viva México! (1979), Eisenstein mostra a cultura local usando seu olhar soviético, numa combinação etnográfica, política, dramática e surrealista.

O trabalho de Eisenstein em curtas-metragens também é parte da mostra, incluindo sua estreia no cinema, O Diário de Glomov (1963), baseado na obra de Nicolas Ostrovksy sobre o anti-herói Glomov, que evita ser descoberto por meio de acrobacias circenses. Em Miséria e Fortuna de Uma Mulher (1929), o diretor compara as condições do aborto de uma mulher rica com o de uma mulher pobre.

Já Romance Sentimental (1930) é um patriarca do vídeo clipe, em que Eisenstein, a pedido do rei Rosenthal, filmou sua amante cantando uma balada russa ao piano, intercalando a filmagem com cenas de cisnes, estátuas, nuvens, árvores, ondas do mar, estrelas falsas, luzes e fogos. Por fim, o curta Desastre em Oaxaca (1931) aborda o terremoto que sacudiu boa parte do sudeste do México em janeiro de 1931.

História Permanente do Cinema – O Cine Humberto Mauro dá continuidade nas sessões comentadas do História Permanente do Cinema, contando com exibições nas quintas-feiras, às 17h. Durante Eisenstein, será exibido o longa Partner (1976), dirigido por Bernardo Bertolucci e baseado num romance de Fyodor Dostoevsky.

CINE HUMBERTO MAURO – Mostra Eisenstein
Local: Cine Humberto Mauro – Palácio das Artes
Endereço: Av. Afonso Pena, 1.537
Período: 20 a 27 de agosto
Entrada gratuita

Informações para o público: (31) 3236-7400

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