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Atletas Militares

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Os civis batem continência para o Brasil

Por Paulo Solmucci

Que maravilha esse projeto dos atletas militares. Graças a ele, o Brasil deu considerável salto nos Jogos Olímpicos. Conquistou 19 medalhas, sendo sete de ouro, ficando em 13º lugar no quadro geral. Em Londres, foram 17 medalhas, sendo três de ouro, ficando em 22º lugar.

O que ilustra muito bem a contribuição do apoio que as Forças Armadas vêm dando, desde 2009, ao esporte de alto rendimento, é que das sete medalhas de ouro que arrebatamos, cinco vieram dos esportistas que têm a patente de sargento.

A maioria dos 17 medalhistas militares prestou continência no pódio. Eles não são obrigados a praticar o gesto.

O ato de esticar uma das mãos, levando-a rente à testa, deve ser interpretado como uma manifestação de reconhecimento pelo apoio que receberam das Forças Armadas e, portanto, de todos os brasileiros. Os que alcançaram o ouro do topo do pódio ficaram pelo menos de olhos marejados ao se desfraldar a bandeira do Brasil, em meio aos acordes do hino nacional.

Mas, o que são os tais atletas militares? São esportistas que ingressaram, por meio de concurso, no Programa Atletas de Alto Rendimento (PAAR) das Forças Armadas. Ou seja: no Exército, ou na Marinha, ou na Aeronáutica. Passaram por um treinamento básico, o mesmo dado aos demais sargentos. Começaram, então, a receber o salário mensal de R$ 3,2 mil.

Colocaram em suas rotinas os centros de treinamento de cada armada, além do respaldo de equipes de fisioterapeutas, nutricionistas e psicólogos.

A judoca de ouro Rafaela Silva, por exemplo, entrou na Marinha em 2014. E lá, à disposição dela e de tantos outros atletas da modalidade, estava um uma caprichada estrutura de pista de saltos.

O programa foi iniciado, como eu disse lá atrás, em 2009, por meio de uma parceria entre os ministérios da Defesa e do Esporte. O nosso país inspirou-se em programas semelhantes aos que haviam sido adotados na Itália, Rússia e França.

O atleta militar nele pode permanecer durante oito anos. Contempla 27 modalidades olímpicas e mais oito não olímpicas (entre elas, futebol de areia, paraquedismo, cross country).

No resumão é o seguinte: 68% das subidas brasileiras ao pódio vieram da contribuição das Forças Armadas. A simbiose entre os ministérios da Defesa e dos Esportes mostra que o Brasil pode transformar suas imensas potencialidades em belíssimas realidades se houver união, bastando que saibamos criar laços de cooperação mútua, com planejamento, continuidade das ações.

Setenta por cento do nosso ouro olímpico brotaram dos centros de treinamento dos quartéis. Da Marinha, vieram a judoca Rafaela Silva, o boxeador Robson Conceição, as velejadoras Martine Grael e Kahena Kunze, os jogadores de vôlei de praia Alison e Bruno. Da Aeronáutica, Thiago Braz (salto com vara).

O Exército alcançou a prata, com Felipe Wu, no tiro esportivo; o bronze, com Poliana Okimoto; e, novamente, o bronze, com Rafael Silva, no judô. Os demais sargentos medalhistas foram: da Marinha – Ágatha e Bárbara (prata, no vôlei de praia); da Aeronáutica – Arthur Nory (bronze, na ginástica artística), Maicon Siqueira (bronze, no Taekwondo), Arthur Zanetti (prata,na ginástica artística).

O Brasil está mostrando que começou a abraçar todos os esportes, indo bem além das quatro linhas douradas do nosso sempre esplendoroso escrete canarinho, que subiu ao lugar mais alto do pódio, com Neymar. A receita está na música de Lô Borges e Milton Nascimento, aquela que nos diz que sempre há, sim, uma “estrada de fazer o sonho acontecer”.

Paulo Solmucci

Paulo Solmucci

Paulo Solmucci - Presidente da ABRASEL (Associação brasileira de bares e restaurantes).

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